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Crónicas d'O Coração da Cidade

a instituição que o povo do Porto elegeu para si ...

Crónicas d'O Coração da Cidade

a instituição que o povo do Porto elegeu para si ...

o sono dos justos ??? ...

 

não sei se tinha nome de flor...

não era branca nem negra ... tinha um rosto mestiço, um corpo delgado e a sua juventude denunciada nos gestos dengosos, uma preguiça de quem não faz coisa alguma...

 

 

poderia ser rainha, poderia ser senhora de um império, poderia ser alguém, mas não... sobra no mundo... e vai-se lá saber porque razão...

 

foi exactamente hoje, logo pela manhã que os primeiros raios de sol denunciavam a cidade buliçosa e cheia de vida, que obrigava os sonolentos a acordar e assim despertava as responsabilidades, distribuindo-as por todos os espaços de alma que pudesse encontrar...

 

a vida dentro da vida se ia encarregando de acelerar quem ainda duvidasse que ela existe...

 

e foi exactamente na bomba de gasolina onde parei, que descobri os gestos incertos de gente anónima que por ali passa, mas que durante o seu cafezinho da manhã, que todos dizem saber tão bem, se trocam as primeiras, ou as mesmas impressões, de tudo o que reveste a política e os maldizeres da primeira liga de futebol...

 

os homens, na sua maioria, que tomavam o dito cafezinho, passavam indiferentes à paisagem...

 

eis que de repente, saindo do meu raciocínio com sabor a cafeína, fixo o olhar num jovem que de vassoura e apanhador na mão e de modo displicente, ia e vinha apanhando os papeis que no chão denunciavam a pouca civilidade de uns quantos e o muito movimento daquele lugar...

 

enquanto as diversas bombas se enchiam de gente para entregar ao seu " bichinho" o que ele há-de consumir em gasolina durante o dia, muito embora os preços tão discutíveis, o certo é que o " bichinho" tem de comer todos os dias... mas ninguém, dos que ali passavam, estavam dentro dos meus olhos que iam e vinham com o jovem da limpeza...

 

olhei o rapaz e conduzi o meu raciocínio no sentido de o imaginar, dentro de uma faculdade, em outra posição que não aquela, com um ar mais feliz e mais responsável, por outra actividade qualquer que não aquela... e conforme ia apensando ia observando a forma como ele apanhava cada papel para dentro de respectivo apanhador...

 

já la iam uns bons cinco minutos, quando ela passa para o canto oposto e aí à distância eu percebo roupas no chão... pela forma como estavam, denunciavam de imediato que uma pessoa estava ali... pensei eu... alguém que passou ali a noite...

 

nada de humano denunciava o encontro, porque tudo estava oculto debaixo daquele emaranhado de trapos... o jovem com medo ou à cautela, bate com força com o apanhador no chão, mas nem um só movimento denuncia o que debaixo desse montão de roupa se oculta...repetiu o gesto por três vezes, imitando, mostrando com as pancadinhas de Molière, que o teatro da vida, também ali se fazia presente... nada... apenas o silêncio e a plateia era apenas composta por mim...

 

dois minutos e o jovem vem espreitar... silêncio absoluto, ausência de movimentos...

 

mais dois minutos e o palco se abre... de dentro dos trapos espalhados pelo chão, sai um corpo delgado, cabelos desgrenhados ...quando volta o rosto, se abre para quem esperava o primeiro acto...

abre-se  qual borboleta, ensaiando os primeiros gestos de denuncia de vida... espreita de lado todos os presentes e meio envergonhada se afasta e reúne os parcos haveres que representam momentaneamente a sua riqueza...

 

parecendo dormir o sono dos justos... dormia apenas o sono injusto de quem nesta sociedade não tem lugar injustamente...

 

tão jovem esta bela mulher não deveria estar ali, como no seu lugar não deveria estar mais ninguém...

 

abrir a manhã para a vida, olhando alguém que se levanta do chão, porque não tem lugar para dormir entre os demais , é demasiado doloroso...

 

os registos diários não têm como se esquecer e até que a sociedade mude o seu modo de estar e de sentir, iremos a cada dia que passa olhar as rosas a brotar do chão sem pertencerem por destino a um canteiro qualquer...

 

à mercê da vontade divina, elas se espalham por aí espalhando aromas infinitos que denunciam a injustiça em que a sociedade se movimenta, preocupada a cada momento,com a bolsa de valores, por isso mesmo não aprende de uma vez por todas a valorizar a vida humana...

 

logo mais, a rosa recolherá ao chão... por quanto tempo?...

 

lasalete

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