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Crónicas d'O Coração da Cidade

a instituição que o povo do Porto elegeu para si ...

Crónicas d'O Coração da Cidade

a instituição que o povo do Porto elegeu para si ...

para além de mim... ( poema )

 

para além de mim ... apenas uma mão poderosa

que segura a minha fragilidade..

 

para além de mim ... apenas um sopro de vida

e um irradiar completo da cosmicidade absoluta...

 

para além de mim ... a imensidão do éter

e o plasmar constante das emoções que ainda não comando...

 

para além de mim ... um horizonte curvilíneo

e a oferta permanente da rectidão espiritual...

 

para além de mim ....  a sombra do incompleto interior

e  a luz abrangente da força resolutiva da minha consciência...

 

para além de mim... o eu perdido ... o eu encontrado...

o renascer permanente com novas asas...

com novos sentimentos que se usam abertamente...

com novo querer que se projecta sem pensar...

com transparências que se motivam com flores...

com fragrâncias que se recolhem na poesia dispersa...

com permanências que se completam ao adormecer ...

tudo para além de mim espera por mim constantemente...

 

para além de mim ... a certeza absoluta

dum Deus que incondicionalmente me ama...

dum anjo que cuida de mim...

duma voz secreta, inconfundível, que me chama...

transportando-me... para além de mim...

 

lasalete ... ( coisas do fundo da alma) - 22-08-08

eu sou a Rosa...

 

 

Já lá vão muitos anos...

 

o telefone tocou trazendo até mim, uma voz rouca, sumida, pouco decidida, entrecortada por choro convulso e desligou...

 

no dia seguinte voltou a tocar... o mesmo choro... a ausência de palavras...

 

e os dias foram-se passando ... até que um dia pedi-lhe que me dissesse o nome dela... ignorou a minha proposta e continuou tecendo em palavras a sua infelicidade ... e os lamentos, sabiam a dor profunda e muito pouco auto estima...

 

 

 

quase meio ano depois, a mulher sem rosto e sem nome, aceitou chamar-se Rosa... embora esse não fosse o seu verdadeiro nome...

 

perguntei-lhe de onde me conhecia, já que passava comigo longas horas ao telefone e sempre no mesmo tom de lamúria ... demonstrando constante desapego à vida , o suicídio era a sua meta mais próxima ...

 

revelou que um dia estava num café e ouvira falar de mim e que a pessoa em questão deu em voz audível o meu número de telefone e ela guardou na memória o número que ouviu e que marcou  logo que encontrou coragem...

 

ao fim de muitos meses já era possível dialogar com ela de forma mais franca e demovê-la da atitude mais dramática que a todo o custo queria adoptar...

 

neste vai e vem a " Rosa"  telefonou para mim  mais de dois anos...

 

já não estava tão decida a  terminar os seus dias e para colmatar a sua solidão a Rosa tinha encontrado alguém que a motivara a viver...

 

um dia, resolveu visitar a casa espírita onde eu servia em nome de Jesus e assim aconteceu...

 

quando entrei na sala de palestras, em cima da mesa estava uma rosa vermelha... tinha um bilhete escrito." eu sou a Rosa" ...

 

já tinham passado muitos anos, pelo menos seis longos anos em que também a minha vida tinha sofrido uma volta completa...

 

beijei a flor e coloquei no espaço onde a tinham colocado , mas não associei a flor a ninguém...

 

o encontro espiritual decorreu normalmente e no final como sempre muita gente para falar e pedir esclarecimento...

 

faltava ainda uma mulher que me fitava com um sorriso muito bonito...

-fiquei para o fim de propósito... disse a mulher olhando firme nos meus olhos... vim para lhe agradecer... a senhora salvou a minha vida ...

 

olhei para aquela mulher sem entender o que dizia e perguntei de onde a conhecia... e ela a sorrir mais uma vez repetiu... eu sou a Rosa... a pessoa que durante mais de um ano a senhora aturou ao telefone...

 

não aguentei e dei-lhe o abraço que sempre desejei dar, apesar de nunca a conhecer quando falava comigo eu tinha vontade de a encontrar e lhe falar olhos nos olhos, mas ela sempre fugiu... e incógnita se manteve... mas valeu a pena... ela estava ali diante de mim... aquela alma que um dia necessitou de um ouvido para falar tudo quanto lhe ia na alma...

 

pensei ...e se eu por acaso tinha desligado o telefone e ....

onde estaria a "Rosa" que naquele momento estava na minha frente ?...

 

neste momento já não a vejo há muito tempo... mas o mais interessante é que nunca lhe perguntei o nome... mas ela sempre me atendia pelo nome de Rosa...

 

hoje ao dar mais uma vez o meu ouvido a outra mulher que me pedia ajuda e depois de ela falar muito tempo... eu perguntei o nome dela e ela me respondeu ... eu sou Rosa...

 

mais uma rosa com espinhos e com medo de perder o seu perfume... e afinal é tão fácil... é só escutar e mostrar de forma convicta que a vida vale a pena... a vida é para ser vivida em pleno...

 

quantas Rosas andam por aí... tristes e murchas com lágrimas nos olhos e o coração aos pedaços... por amor... por orgulho... por falta de amor por si próprias...

 

vamos todos salvar as Rosas... sempre que o telefone tocar... vamos medir bem as palavras e conferir como o tempo é precioso e pode por isso mesmo ser repartido com quem precisa de auxílio, mesmo que seja apenas para desabafar...

 

 

 

 

que Deus abençoe todas as Rosas do mundo...

que Deus lhes conserve o perfume e a sorte ,

de pertencerem a este enorme canteiro que se chama Terra

e está ao cuidado do jardineiro divino Jesus...

 

 

 

uma noite de paz para todos e aquele abraço gostoso...

 

 

 

 

lasalete...

supostamente...

 

 

supostamente... é um termo usado por um amigo meu, que quando não sabe o que há-de dizer... não dizendo nada, como habitualmente... então com o ar mais sério do mundo a propósito de tudo e a propósito de coisa nenhuma diz... supostamente...

parece em parte familiar do sal, que se coloca em quase tudo para dar sabor... supostamente, digo eu...

 

então hoje mesmo...

bem pela manhã , sem dizer nada a ninguém, coloquei o meu olhar em direcção bem longínqua e imaginei todas as pessoas em férias e muito bem dispostas...

imaginei muita gente a passear, nem sempre na praia, que isto de areia, até se mete bem fundo nos dedinhos dos pés e isto de nos baixarmos para sacudir as sandalinhas... não está com nada...

 

perde-se a compostura , salpica-se a senhora que está ao lado e que grita desalmadamente para o filhote que parece querer afogar-se longe dos olhares maviosos da senhora sua mãe, que até nem sabe como segurar os óculos da marca que a filha mais velha lhe ofereceu nos anos e a quem convenceu a usar para fazer boa figura, que isto de estar na praia com os óculos made in Taywan já não está com nada...

 

portanto, tirando o caricato de todas as situações, que faziam a minha delícia de juventude, onde arrancar risinhos não era dificil... porque quando se é jovem tudo serve para fazer galhofa...  a praia vale por isso...

 

os escaldões são de outra matéria e para isso temos cá os entendidos que logo pela manhá aparecem no Telejornal a mandar as suas dicas de bem entendidos, falando para bons entendedores, por isso mesmo, meia palavra basta, porque o apresentador que também não pesca nada do assunto, se manda para frente com perguntas de lana caprina qeu deixam quem ouve apenas com a certeza de que tudo o que estamos a ouvir não é para reter... porque num outro canal concorrenbte se está a falar do mesmo assunto mas com cores diferentes...

 

ligeiramente interessada no meu raciocínio, fiquei a pensar que isto de estar em férias é muito chato... 

 

os casos que faziam as primeiras páginas desapareceram ... nem temos nos jornais cenas bombásticas e parece nem haver tema de conversa...  daquelas conversas ocas que passam na boca de toda a gente e que só saem da cabecinha de quem nada possui no seu interior... ou seja, os problemas que nada acrescentam de real valor a qualquer um de nós...

 

mas, como estava dizendo, o meu raciocínio se alargou muito mais e de férias em férias , de sorriso em sorriso... dei novamente por mim a pensar se na realidade a vida está tão cara assim...

 

este ano não sei por que carga de água... talvez porque em Agosto choveu mais que o habitual, os amigos e conhecidos meus, todos resolveram tirar férias... que bom disse eu...

 

mas... quando cheguei à rua... para espanto meu... o cabeleireiro estava fechado, o pomar, estava fechado, a confeitaria estava fechada... muitas das casas de comércio e serviços fechados ... não pode ser...

então não se queixavam todos eles de que a vida está muito má e que não se vende nada... então foram para férias?... não fazem negócio e ainda vão gastar o pouco que têm...

 

há uns anos atrás, também era difícil e quase todos nós só vivíamos para trabalhar e o produto do nosso trabalho era só para as despesas e pouco mais... se o ordenandinho  chegava até ao fim do mês ... era uma maravilha...

roupinhas de marca ?... nem pensar e quando queríamos jantar fora, ficavamos todos felizes com os piqueniques muito simpáticas... onde os petiscos da avó e das tias estavam todas lá na esperança de que ali... muito divertidos, esperando que os mais velhos terminassem de degostar o verde famoso que o tio de Amarante tinha enviado por alturas das festas de S. João...

 

ena pá... vidinha simples, em tempos que falar de liberdade era para os mais inquietos e para os mais corajosos...

 

lendo Miguel de Sousa Tavares em " o rio das flores"... vai ser possível entender que a história se repete ciclicamente, trazendo à memória episódios capazes de nos mostrar em reprise, as dificuldades únicas que o povo português viveu...

 

é necessário mudar os hábitos que ainda conservamos, de nada poupar e estendermos a nossa vontade de tudo fazer, até onde a imaginação nos levar e não medir consequências dos nossos actos...

 

é necessário crescer...é urgente prosseguir e acima de tudo progredir...

 

estamos a viver num mundo estranhamente exposto à mediocridade e com a vida tão cara não podemos enriquecer se não trabalharmos bem mais do que é habitual...

 

da boca dos imigrantes que nos  procuraram este mês, pude perceber o espanto pela carestia da vida no nosso país e pela forma descontrolada com que se vive cá dentro... referindo sem dúvida que em Portugal se trabalha muito pouco...

 

então, se a vida está cara não teríamos que trabalhar muito mais ?... supostamente...

 

um  final de dia feliz e muito trabalho...

 

lasalete

dentro do silêncio... ( poema)

 

dentro do silêncio, há um quê que sabe a solidão...

uma denúncia velada que fala de tudo,de todos e de ninguém,

um misto de fraqueza e de coragem

e uma certeza de que só Deus

tem de verdade a chave do nosso coração..

 

dentro do silêncio se embriagam os sentidos

com uma vontade mórbida de os arrebatar de dentro de nós

tornando a nossa paz o único paraíso

onde sofrega e serenamente  desejamos estar...

sem máscara ... sem dons... apenas o nosso eu para embalar...

 

dentro do silêncio existem músicas que só o vento toca para nós

e que somente a nossa alma consegue escutar ...

porque o silêncio tem a nossa voz e sabe como saciar-nos

esvazia os sons que não sabem a melodia

e oferece diálogos que só habitam na nossa imaginação...

 

dentro do silêncio erguem-se montanhas

que  nós sabemos intransponíveis

e tão altas que nos dão a certeza

de não estarem ao nosso alcance...

existem mares navegados por rostos estranhos

que marginam o nosso querer

e denunciam agressão à nossa intimidade...

 

dentro do silêncio existe a noite que ninguém acorda

e que nos tenta justificar os fracassos...

a noite de amores que nunca viveremos

e  luas de madrugada que nunca soubemos entender..,

mãos peregrinas que não sabem onde moramos

sentimentos misturados com lágrimas de dor...

sonhos que assustam a nossa pálida existência...

 

dentro do silêncio também se escrevem orações

para os deuses que não são de religião alguma,

para os orixás em que não acreditamos...

e dentro desse silêncio ardem velas

de promessas que dificilmente conseguiremos cumprir...

os nossos joelhos doem por rolarem no chão

na procura de outros silêncios que sangram em paralela união...

 

dentro do silêncio há gritos abafados

que se assemelham aos nossos gritos,

blocos de gelo que chocam de frente com o nosso ardor...

que esbarram com a nossa emoção

e tentam colar-se à nossa alma

tentando adivinhar onde mora o nosso querer...

 

dentro do silêncio há pedaços de céu

com nuvens votivas tecidas de encanto

esperando que  dentro delas plantemos flores...

estão prenhas de sons de maresia

onde elas também bebem e choram o nosso sofrimento...

 

dentro do silêncio as areias da praia

formam conchas de ilusão a que chamam beijos de mar...

o quente do sol oferece um brilho que confunde a magia do silêncio

mas que termina pela noite com o conforto sem pensar...

devolvendo ao silêncio a solidão timidamente,

com gelo tumular dos gritos surdos ao amar... 

 

dentro do silêncio onde mora o amor

onde mora a magia do acontecer

onde mora também a vontade de viver ,

dentro do silêncio onde quase tudo se pode esconder...

há uma fonte de saudade onde as lágrimas se podem disfarçar...

 

dentro do silêncio de cada alma que sente e se faz sentir

há mãos que se entrelaçam há gestos que se alongam no olhar

porque os sons são proibidos e não se podem usar...

há mais silêncios dentro do silêncio

com palavras que não se podem pronunciar...

em maior silêncio que  os silêncios que se possam imaginar...

 

dentro do silêncio só cada um pode morar

dentro do silêncio só cada um pode existir e penetrar...

dentro do silêncio cada um guarda segredos que nunca irá revelar...

dentro do silêncio há um canto para descansar

um quarto escuro onde as lembranças vão para sonhar

onde  uma luz  cor de  fogo  indescritivel

ilumina de forma  irresistivel  o verbo para  amar...

 

 

lasalete ... 18-8-08 ... ( coisas do fundo da minha alma)

 

carinho em tamanho xxl...

 

 

 

 

 

 

 

quem vai cuidar de nós?

 

o nosso amigo vai à capital...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

há uns dias atrás disse que falaria aqui neste espaço duma pessoa ... e ele perguntou-me : - falou de mim no blog........... não disse-lhe eu...

mas hoje é exactamente dele que eu vou falar...

 

basta dizer que adora animais... cães e gatos de preferência ... é amoroso e abre todos os dias a Porta do Coração da Cidade... é um voluntário para vestir tamanho xxl e o seu coração tem o mesmo tamanho...

 

pois é... este nosso voluntário há cerca de 4 anos atrás ninguém lhe falasse do Coração da Cidade e nem em ajudar ninguém que ele não estava virado para essas coisas... como ele dizia...

 

a sua esposa já era nossa voluntária e um dia ele apareceu por lá ... entrou e nunca mais se separou de nós...

 

hoje ninguém dispensa o Correia e nem precisamos de lhe pedir seja o que for que ele está sempre pronto... não se melindra com nada nem com ninguém...

 

mas o passatempo preferido do nosso Correia são os gatinhos do Coração da Cidade que percebendo a dedicação deste amigo que ama em tamanho gigante estes pequeninos bichinhos, resolveram multiplicar a turma do miau-miau e de um passamos a dividir o espaço com uns 7 gatinhos que andam sempre atrás do nosso amigo e vice versa...

 

a dedicação deste amigo chega a comover... não conseguiu salvar a última ninhada que alimentou a biberão, mas lá ficaram os outros gatinhos que felizes lá estão pela manhã à espera que o Correia abra a porta para lhes dar de comer...

 

no Coração da Cidade muita coisa se passa sem que alguém perceba... é um pequeno paraíso onde Deus nos dá a oportunidade conhecer pessoas boas que todos os dias nos ajudam a conhecer na vida factos que são interpretados por pessoas que não precisam de nenhuma religião ou filosofia para espelhar e espalhar a maravilhosa mensagem do Cristo...

 

amanhã o nosso Correia vai dar um passeio bem merecido até à capital para ver o oceanário... para ele um óptimo passeio que ele bem merece...

 

 

e o Correia só cá está na terça feira .....................  que remédio...

 

pelo menos podia ter levado um de nós para o passeio...

 

mas ele ia tão feliz... que se divirta... bom passeio amigão ... miauuuuuuuuuuuuuuu

 

 

lasalete

dentro do meu sonho...( poema )

 

 

bordei de estrelas o céu da minha infância

voltei a plasmar uterina procedência

voltei ao ventre da mãe para nascer

e sentir-me de novo, renovada  em santa essência...

fui ao cosmos buscar a plenitude

do saber, do criar, do amar, do proceder...

voltei a ser criança e consciente quis nascer...

 

arrumei-me como pude calmamente

por detrás de Deus, que doce me acolhia

não tinha asas... apenas meus desejos

de voltar a nascer em outro dia...

Deus abriu seus braços ... devolveu-me...

voltei à Terra trazendo comigo uma razão...

amar e cumprir sem medo uma missão...

 

voltei ... saí do sonho ... projectei-me...

o ar era húmido ... frio ... assustador...

e uns braços  me envolveram dadivosos

eram de  quem me ama e conhece minha dor...

os meus olhos se ergueram lacrimosos

então envolvida em longo e doce abraço...

eu acordei  liberta e consciente desse amor...

 

lasalete... ( 17-8-08)... ( poemas do fim do dia ) 

 

tempos da alma... ( poema)

 

sempre se repetem para mim as Primaveras

e vestem-se as aves como Orfeu...

as flores se oferecem viçosas e sinceras

e o segredo do vento é só meu ...

 

sem que ninguém proposite  a chuva cai

anunciando boas novas em botão

e feliz  de minha alma solto um ai

que me diz que está feliz o coração...

 

apenas pela feliz coincidência de existir

eu louvo e penetro em minha vida bem mais fundo

e nos mistérios que esta verdade me descerra

eu vivo, sentindo assim melhor o mundo...

 

não sei se quereria ser diferente

nem sei se me pertence a vida que há em mim

mas,  encosto-me expectante e a pensar

" que prova dura Senhor que não tem fim?"...

 

deixo-me conduzir lentamente qual regato

simples e tranquilo rumo ao mar

e os  meus braços se diluem noutros braços

apenas para  descobrir que sei amar...

 

se amar tanto assim é proibido

se é pecado querer tanto Santo Deus

que fazer então Senhor dos meus sentidos

que fazer então dos sonhos meus...

 

existem em mim, mais flores, mais primaveras

que a idade não queima  e louca põe em flor

com perfumes e cores bem mais severas

mostrando como é doce o meu amor...

 

afinal os poetas nem tudo vercejaram

esquecendo o Verão de meus sentidos

percebendo o incómodo calaram

a expressão real em meus ouvidos...

 

falaram do Outono, do verde e da magia,

mas o amor, tem mais cores por descobir

tem verdes de dor e azuis de fantasia

e tem tons com nomes de prazer p'ra colorir...

 

no Inverno da vida ainda p'ra viver

eu quero ser eu mesma e ser mais calma

num registo singular sem me esquecer

dos tempos mais felizes de minh'alma...

 

 

lasalete... ( poemas de dor e pranto)... 16-8-08

chuva de Agosto ...

 

 

 

 

dizem que em Agosto não devia chover...
mas por incrível que pareça, a chuva sempre vem beneficiar alguém ou algo quando cai diluída e mansa...
os veraneantes é que não estão muito de acordo  e todos os que de algum modo resolveram eleger o mês de Agosto para férias devem estar um pouco incomodados...
 
 
vinha eu embalada neste pensamento e silenciosamente observava a chuva que me recebeu mal pus os pés fora de portas...
 
ao aproximar-me da cidade grande, penetrei num ambiente de mistério…
olhando de frente todas as janelas, que de certa forma fechadas, denunciavam o final de semana, penso eu que lá dentro ainda deviam estar a descansar…
 
hoje a cidade de granito, se apresentava ainda mais cinzenta, coberta pela pluviosidade que a envolvia, forjando um manto fino e transparente, parecendo até que queria propositadamente parecer mais casta e que se vestiu para noivar … tão branca e fria estava a cidade…
 
olhei o céu e perguntei porque chorava...
 o céu não me respondeu, mas ignorando o silêncio, perguntei a Deus se o pranto que envolve os seres da Terra, subindo gota a gota, seria parecido com o manto fluido que me era dado observar...
 
quis sentir o panorama emocional que abrangia o meu Porto e recuei...
 
eu sabia de cor  o pranto de quem não tem dias de coisa nenhuma, vivendo como se os dias fossem sempre iguais, sem cor, sem brilho, sem perspectivas e sem amor...
eu sei de cor  o pranto que a cada  momento sobe como oração nos leitos dos hospitais de onde apenas se recolhe dor e um abafado gemido... chegada que está a hora, para que, talvez com menos dor lhes seja possível observar a Terra de outro plano...
eu sei de cor  o pranto de quem despertou de olhos molhados, denunciando a solidão...
 
entendi também que com a chuva, os bancos de jardim ficarão abandonados...não poderão receber os namorados e os velhos que já não namoram porque perderam o brilho no olhar…
as pombas voarão em  outro sentido... talvez porque os pardais que as convidam ao desafio, estão também eles abrigados nas copas das árvores que nesta altura do ano se oferecem frondosas e perfumadas...
 
já no ventre da cidade... a mesma imagem de sempre... um jardim que se oferece como cama de vital necessidade a um sem abrigo... que por acaso conheço de longa data...
 
voltei atrás no tempo e lembro-me deste homem quando chegou à cidade e o informaram que no Coração da Cidade podia alimentar-se...
nesse dia entrou calado e observador...
ao entrar parou  de repente diante da imagem de Jesus que tínhamos colocado na entrada do nosso pequeno refeitório e que outros sem abrigo veneravam e olhavam, com respeito...
o homem que hoje dormia no jardim onde é habitual encontrá-lo , olhando Cristo nos olhos endereçou-lhe insulto vigoroso  e deixou no ar angústia e pesar pela forma odienta com que Lhe tentava imputar as culpas da sua situação..." - - sempre te encontro... até aqui me esperas"... 
falei-lhe de modo brando e perguntei-lhe que mal lhe tinha feito o Mestre de Nazaré... e ele de modo irado e decidido culpou o Cristo por não ter feito o suficiente para que não houvesse fome no mundo... e não quis falar mais sobre o assunto... recusou-se  a comer... parecia incomodado e partiu...
 
não mais se separou do Coração da Cidade ao longo destes 12 anos...
 
hoje ao olhá-lo no  jardim, dormindo como se estivesse na melhor cama do mundo, pedi a Jesus por ele... mas sei que ainda dormirá no chão durante muito mais tempo... porém acredito que embora a má disposição de que se reveste constantemente, haverá algures alguém que o amará... quem sabe um anjo condoído da sua sorte...
 
a cidade alheia a este e a outros dramas que se estendem por aí e que nem mesmo a chuva consegue ocultar, pelo contrário quando o céu chora são mais vivos e mais cruéis os dramas de quem não tem tecto... o drama de quem não tem ninguém...
 
se os pássaros ainda se podem abrigar na copa das árvores… ao ser humano nem isso é permitido... por incrível que pareça, a quem nada possui só lhe resta mesmo o chão... ironia do destino...
 
se Deus tivesse dado ao homem asas para voar, pelo menos árvores não faltavam para que os homens  descansassem...
 
o Arquitecto Divino ainda tem muitos espaços erguidos, verdes, frondosos, de várias fragrâncias, espalhados por aí, mas só servem aos passarinhos e mesmo assim, o bicho homem ainda não satisfeito derruba alguns deles para construir espaços de betão para quem pode dormir longe do chão...
 
só Deus mesmo, para suportar tanta impiedade...
 
talvez por isso mesmo chova fora de tempo e o tempo nos comece a ensinar que o homem não domina tudo ... não domina todos... nem durante todo o tempo...
 
mas ao entrar na cidade não pude esquecer aqueles que são meus irmãos de luta e que estão de férias para um merecido descanso e de quem já tenho saudades... eles são a minha energia, a pinha paz, a minha mais predilecta melodia, ao lado dos quais vivencio as mais belas lições de solidariedade ...
 
para eles e para todos... embora a chuva ... boas férias ...
 
lasalete

 

 

 

 

 

lágrimas de sal...poema

 

não chores junto ao mar

porque  junto ao mar 

a chorar crescem as rosas,

não chores junto ao mar

porque junto ao mar, 

a dor não passa mais

não chores junto ao mar

porque no mar sem tu veres ficam chorosas

as sereias que imitam os teus ais...

não deixes que se afastem as naus onde navegas

sem conseguires controlar  a tua tempestade

não chores junto ao mar, porque dói mais

que as lágrimas são gotas de saudade...

 

a dor que tu soltas ao chorar,

na areia translúcida se espalha

e as ondas bordam lenços quando passas

e os espalham pela praia como calha

pelas  dores que arrancas

pelas dores que não controlas

pelas dores do peito forçando o teu penar...

há uma gaivota no cais que nem tu adivinhas

que também chora como tu... nem descobriste

e há mais gaivotas espalhadas pela praia

que choram contigo depois que tu surgiste...

 

infinita tal qual  o horizonte

a mágoa de quem ama é  imensa

e a Lua vem juntar-se lacrimosa

vestida de prata e a tua dor incensa...

colhendo gota a gota a dor que cai

serena, serena e cuidadosamente

a Lua limpa os olhos  quando sai

e se afasta com um lenço amarrotado...

enchendo o lenço de lágrimas formosas

oferece o lenço ao mar, fala de amor

e do lenço assim molhado caem rosas...

 

 

lasalete... ( poemas de dor e pranto) ... 14-8-08

permite... ( poema)

 

que permites tu sentir que não arriscas

que doa o coração por longa espera

que permites tu ao mentir que não arriscas

que no teu coração seja sempre Primavera.

 

permite... permite que o teu amor crie venturas

que dê asas peregrinas ao voar

que solte ao vento as velas como rimas

pela força que a alma que ama, tem de amar.

 

permite... permite que o mundo acenda mais fogueiras

com o fogo dos olhos amantes de quem chora

permite um passeio ao cais,  mesmo que queiras

prender tuas amarras ... vai-te embora...

 

aqui...  os pássaros famintos estão aos ais

porque não sabem amar  sem alimento,

quebram as asas em gritos sempre iguais

e deixam para o mundo o louco sofrimento...

 

permite que volte para ti o Verão que aquece a alma

que te isola do mundo falso, louco e indolente

que não pergunta , se dás, se tens, se amas com calma

se pedes sofrendo uma esmola, por esse amor ausente...

 

permite ver teu rosto chorando à luz da Lua

sem medo que o Sol, com ciúme se enfureça

permite que o vento solte a voz que é rouca e nua

e que a noite ao ver-te chorar te reconheça...

 

se tens por horror perder batalhas sem lutar

permite ser herói por amor só uma vez

deixa-te seduzir na certeza de ganhar

a vitória sobre o amor , que louco assim te fez.

 

os lobos famintos nas sombras, são irmãos

dos chacais que devoram sem horror,

aqueles que amando no mundo sofrem mais

chorando em silêncio em nome do amor...

 

permite então que a paz em ti  entre e sacie

permite que a fome de amor não possa acontecer

que o coração bata mais forte por amor e irradie 

porque sedento e consciente, à fonte  vem  beber...

 

os poetas,recolhem de todo o mundo o choro errante

as ninfas, os magos, também choram  quando há dor

permite então estender as mãos e avança triunfante

para viver  sem mágoas, em nome do amor...

 

lasalete ... ( poemas de dor e pranto) ( 14-8-08)

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a nossa sede na Rua Antero de Quental, nº 806- Porto

desde a inauguração desta casa que os voluntários têm sido um marco de coragem e abnegação




saiba porquê.....


O Coração da Cidade é:

é um espaço de solidariedade universal

com preocupações constantes de actualização

ao serviço permanente da comunidade onde está inserido

de conforto e amparo, servido apenas por voluntariado

onde todos os serviços prestados são e serão sempre gratuitos

promotor do voluntariado e intercâmbio associativo

O Coração da Cidade,

já estendeu a sua acção

a outros espaços do distrito do Porto

criando para o efeito

uma cadeia de Lojas Sociais ,

que lhe permitam

uma maior sensibilização

para o vuntariado

e ao mesmo tempo

detectar

novos focos de pobreza

venha até ao Coração da Cidade

faça-se voluntário

e ajude a servir,

os que mais necessitam de auxílio



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CADEIA SOLIDÁRIA um euro uma razão para ajudar o Coração


é o que estamos necessitando neste momento ...

O Coração da Cidade inicou um pedido de ajuda para que seja posivel ultrapassar as suas dificuldades

associe a sua vontade de ajudar á nossa causa e contribua comnosco...

seja um amigo d'O Coração da Cidade

esperamos o seu

ajude-nos a ajudar ...

apenas um euro

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