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De zélia neno a 14 de Abril de 2007 às 19:30
Mais um triste caso passado na nossa cidade e desta vez mesmo à porta do Coração da Cidade.
Infelizmente casos como este acontecem a cada minuto em todo e qualquer canto do mundo independentemente do sexo, cor ou religião de quem o pratica e de quem se vê e sente envolvido por eles.
Isto porque vivemos num mundo onde ainda não foi descoberta uma vacina contra a intolerância e o desamor, que se possa aplicar nas crianças e lhes permita crescer e saber viver numa sociedade mais justa e sobretudo mais humana.

O que se passou teve como tristes protagonistas, um pobre homem que teve o azar de passar no lugar errado na hora errada e alguns jovens, auto – denominados repositores da justiça, quando nem sequer devem saber o verdadeiro significado desta palavra, pois até duvido que qualquer um deles soubesse exactamente o que se passara com a menina assediada, pois se assim fora não teriam ido “ajustar contas” com a pessoa errada mas sim dirigido a quem tem o dever e responsabilidade civil de o fazer. Decerto juntou-se amigo atrás de amigo e juntos foram rua fora violentando um inocente.

Isto acontece porque o ser humano é, além de intolerante, um ser viciado em se deixar arrastar pela habituação de factos e um deles é, quando pela força das circunstâncias, agir impulsionado pelo ambiente em que está inserido somente para parecer bem e não ser apontado como desajustado a ele.

Recordo a leitura que fiz há uns tempos sobre um estudo que alguns cientistas fizeram sobre o comportamento dos chimpanzés, nossos “parentes” próximos, e para o qual colocaram cinco destes animais numa jaula, dentro da qual estava uma escada e no cimo desta um cacho de bananas. Quando um chimpanzé subia a escada para apanhar bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria sobre os restantes animais que estavam no chão. Depois de algum tempo repetindo esta acção, admirados ficaram ao verificar que quando algum dos animais queria chegar às bananas os outros batiam-lhe não o deixando subir pois só assim evitariam serem molhados pela água fria. Mais algum tempo passado e já nenhum deles fazia sequer a tentativa de subir a escada apesar de a fruta lá continuar.

Então os cientistas resolveram substituir um dos cinco animais, introduzindo na jaula um novo elemento, que de imediato tentou alcançar as bananas, não o conseguindo pois os outros logo o puxaram dando-lhe uma surra que serviu de lembrança para não mais o tentar. Após isto, foi feita a substituição de um segundo animal e a reacção dos outros foi a mesma, só que nela participou entusiasmadamente o primeiro elemento substituto.

A situação de baterem no recém-chegado que ousava subir a escada foi-se repetindo até serem substituídos os cinco primitivos ocupantes da jaula, após o que pôde ser constatado pelos estudiosos de que aquele grupo de cinco novos chimpanzés, mesmo sem nunca terem levado um banho de água fria, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a qualquer um daqueles inteligentes animais por que o faziam, com certeza a resposta seria : - Não sei, é assim porque foi sempre assim!...

E também assim reagem os homens, quando em criança não aprendem que se deve viver com o coração desarmado de ódio e a mente de preconceitos mesquinhos, para que não se curve diante qualquer vento que a moda sopre nem do mau humor, da impaciência e da raiva dos outros e sim fazer da Tolerância a bandeira de um mundo melhor.
Zélia

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