De Zélia neno a 14 de Junho de 2007 às 01:37
Apesar de todos os dias visitar este, cada vez mais bonito blog, e de na ultima semana ter feito várias tentativas para elaborar um comentário ao que de tão especial cada mensagem faz vibrar em meus sentidos e sentimentos, o certo é que a minha escrita não tem fluido como habitualmente, talvez como consequência de um cansaço a que o meu Eu não estava habituado, até tomar a decisão de ocupar os meus dias de modo diferente ou seja, empenhar-me em acções diversificadas, ocupando o meu tempo tentando ajudar em situações que eu sabia existir mas com as quais não convivia directamente e que, devido á carga emotiva que lhes é inerente, têm dado uns estremeções na minha parte psicológica como pessoa sensível que sou, mas que se vai fortalecendo em cada dia que passa, mostrando a mim própria que basta o facto de me levantar em cada manhã para sair de casa com o propósito de ir ao encontro de um e qualquer tipo de trabalho através do qual eu posso dar a minha quota parte num espaço solidário, onde o ar que se respira tem o cheiro de amor, amor pelos nossos semelhantes carenciados geralmente de tudo, mas que em certos casos até uma palavra ou gesto amável é suficiente para os fazer elaborar um sorriso e sentir que alguém está ali para lhes oferecer o que fora daquelas portas a sociedade lhes recusa dar.

Como não será difícil de adivinhar, estou a falar do Coração da Cidade.

A verdade é que desde que ali entro até que saio, todas as minhas “pretensas” preocupações pessoais “parecem” desaparecer e se antes eu julgava ter alguns problemas como tem qualquer comum mortal, passei a sentir isso não como problemas mas como situações ultrapassáveis com maior ou menor facilidade, desde que Deus não deixe de me acompanhar, e que problemas de verdade, inimagináveis para alguns de nós, são aqueles que são levados por inúmeros homens e mulheres com quem nos cruzamos pelas ruas desta cidade e arredores, transportando dor, sofrimento, degradação e sobretudo o espectro monstruoso da Fome que teima em alastrar como erva daninha devido á situação político-económica que o pais atravessa e que àquela Casa se dirigem na esperança que alguém lhes vai estender a mão, mais ou menos cheia daquilo que necessitam.

Ao optar por dar novo rumo no tempo livre de que disponho e que há muito vinha adiando por diversos motivos, foi dar a mim própria uma hipótese de renovação da minha própria vida, já com mais de meio século, mas sei que tudo nesta mesma vida tem o seu tempo próprio para acontecer nem que seja só o aguardar que a coragem para a mudança chegue.

Acontece muitas vezes connosco o que se passa com a águia, que é a ave que possui maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas para poder chegar a essa idade, aos 40 anos, tem que tomar uma séria e difícil decisão, pois nessa ocasião ela já tem as unhas demasiado compridas e flexíveis, não lhe permitindo agarrar as presas das quais se alimenta. Também o bico já demasiado comprido e curvo se inclina contra o peito, além do excesso de peso das asas, provocado pelas penas já velhas pela idade, não lhe permitindo um voar normal e essencial para a sua sobrevivência. Então ela só tem duas alternativas; - morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que demora cerca de 150 dias.

Como o faz?.. Recolhe-se num ninho em local que não necessite de voar e então aí começa a bater com o bico numa rocha até conseguir arrancá-lo. Após o conseguir aguarda até nascer um outro novo, com o qual irá então arrancar as velhas e frágeis unhas. Quando começam a nascer as novas ela inicia então o arranque das velhas penas e só passados os 5 meses ela está renovada e pronta para um voo triunfal e viver então mais 30 anos.

Assim como as águias, também nós seres humanos, necessitamos muitas vezes de nos libertar de alguns hábitos, costumes e até tradições para que essa renovação nos permita “voar” para locais e novas situações às quais podemos facilmente adaptar a nossa forma de viver e com isso sentirmo-nos mais felizes e realizados na jornada que ainda temos para percorrer.

Por favor, meditem nisto e tentem ser felizes.
Zélia
Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres