Sábado, 30 de Junho de 2007

Grito de guerra ... ( poema)

 

" homenagem aos soldados de todas as guerras que as ditaduras impõem ...

que os valentões que governam inventam, mas que não têm coragem de combater"

 

um grito de dor por todos os que tombaram , a mando daqueles que nunca tiveram coragem de pegar numa arma...

 

um abraço poético a todos os mutilados de guerra ... no corpo e na alma ...

 

os abraço com alma e deste jeito lhes presto a minha homenagem...

                         

Gritavam chorosas as mães e os amores,

de nada valendo a quem nada mais podia...

e os mandantes do crime emudeceram,

determinados em tal aleivosia...

tinham na alma a esperança de voltar? ... não,

só alguns diziam ter mais fé...

mas ficaram encurralados nesta vida,

sofrendo uma dor sem volta... sem maré...

 

Rasgados... não sei se lutaram livremente...

mas um dia, alguém ludibriou

dizendo obrigatório defender,

aquilo que afinal nunca se herdou...

longe de casa , sem paz e sem destino,

de armas na mão, chorando em desespero,

foram milhares ... talvez milhões os que ficaram,

de corpo aberto em trilho tão austero...

 

Importa o espaço ou a guerrilha ?

Angola... Guiné ou Moçambique ?

se a guerra que inventaram era filha

da ignomínia da ambição e do terror...

mostrando a todos por fim, o excretor

da morte anunciada dum regime,

que negando pela  vida mais amor

desenvolve arrogante, o medo que os oprime...

 

Todos viajaram... alguns estão mutilados...

e embora a dor, de mesmo assim querer voltar,

são apontados com famélica lembrança,

como soldados dum regime a ignorar...

Pelo amor de  Deus ...rendam-lhes na memória um louvor,

amando o esforço heróico de existir,

porque a bota ditadora que esmagava,

tudo tornava mais difícil ... era impossível decidir...

 

Os que voltaram estão  gritando de  emoção,

desesperam ,não sabem prosseguir,

embalam fantasmas rasgando o coração

e ainda os empurram sem dor e sem respeito...

se  houver história fiel e de direito

e os admitir com verdade, como  heróis sobre esta terra

veremos por bem que existe  em Portugal

o respeito e a verdade que o país encerra...

 

 

Lasalete ... 1 de Julho de 2007... 11 horas

neste momento eu estou ...: em paz no meio da guerra
publicado por lapieta@sapo.pt às 10:45

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2 comentários:
De Fernando Correia a 2 de Julho de 2007 às 22:20
Muito boa noite D. Lasalete

Ontem, conforme estava combinado comigo e mais alguns amigos ex-militares, fomos visitar o nosso amigo Fernando Henriques a Águeda...

o nosso amigo encontra-se numa situação de ânimo desesperada, mas, não dando pulos de contente (porque a sua doença não deixa), recebeu-nos com muita alegria, assim como a sua mulher...

confortámo-lo, com palavras que eles agradeceram, mas, que não tinham esse objectivo...

a nossa intenção era para além de lhes darmos o calor da nossa presença, tentarmos insuflar coragem, porque sentimos que este nosso amigo está a ficar desesperado, revoltado com a sua situação, que ele sabe não ter retrocesso...

ajudámos o Fernando a preparar-se para ir connosco
almoçar a uma zona muito bonita, chamada "ÓIS DA RIBEIRA" (ÁGUEDA), que transmite uma sensação de paz, de que gostámos particularmente...

o almoço foi bom, mas o principal foi o convívio, pois o nosso amigo raramente tem possibilidade de conviver e, este foi um encontro excepcional de amigos e, a infelicidade dele aproxima-nos ainda mais...

no final do almoço, dediquei alguns momentos lendo o poema que a D. Lasalete dedicou aos militares,
assim como um outro que eu escrevi para o Fernando e outro para a sua mulher Adélia, ficamos comovidos, aliás como eu previra, apesar do nosso esforço, para as conter, as lágrimas rolaram...

voltámos para sua casa, e continuámos a conversa e as brincadeiras até quase anoitecer...que bom, voltar a ser jovem e conseguirmos que alguém esquecesse o seu sofrimento por algumas horas...

despedimo-nos, marcando encontro para breve, pois o nosso amigo, vem para ser internado aqui no Hospital da Prelada, amanhã chega, e provavelmente será operado durante esta semana...as chagas estão sempre a reabrir...

peço a Deus, que o ajude na sua luta, que lhe dê coragem para vencer e superar mais esta operação e, inspire o pessoal médico, que vai tratar dele...

aqui, ele vai ter a companhia de muitos amigos, que sempre que ele está cá, diariamente vão confortá-lo...

sabemos que a nossa presença vai fazer-lhe bem...

claro, que para a sua família, vai ser mais uma vez a loucura de viagens diárias de ÁGUEDA para o PORTO e vice-versa...mas, que loucuras não se fazem por um ente querido?

Termino com um agradecimento, porque ainda não o fiz, à D. Lasalete pelo tempo e pelo amor que colocou neste poema aos militares de guerras que não são nem nunca foram nossas...

Bem-haja.

Que Deus a guarde e dê saúde para continuar na sua cruzada pelo Bem...

Um abraço aos voluntários do "Coração".

Fernando Correia
De Zélia neno a 3 de Julho de 2007 às 14:14

Desde há vários dias que venho tentado comentar algumas das últimas mensagens que despertam em mim um sentimento muito especial e que deve ter um ligação directa com o fio condutor que me induz à escrita, mas por falta de tempo e algum cansaço, não o tenho conseguido.

Mas perante este poema, cujo titulo e conteúdo me são especialmente gratos, pois como mulher de um ex-combatente da Guiné e tendo eu mesma já visitado algumas vezes aquela ex-colónia portuguesa, pude assim ter uma hipotética noção, através da visualização no local, daquilo que terá sido o verdadeiro cenário de guerra, desde o tipo de terreno ao próprio clima, muito quente e húmido, que sendo agradável para quem lá vai só para passar alguns dias de férias, se tornava insuportável para quem por lá teve de andar, meses e meses em condições adversas, onde imperava a angustia, o sofrimento e cujo principal objectivo era conseguir sobreviver, dia após dia, mesmo que para isso tivessem de matar outro ser humano só porque os “senhores da guerra” os haviam colocado em lados opostos da barreira.

E tudo isto se passou com milhares de jovens que aos 20 anos, se viram afastados de tudo e de todos que lhes era querido, destruindo até a maioria dos sonhos que muitos tinham construído, em termos do seu futuro. Muitos não tiveram hipótese de regressar vivos e dar a suas mães a oportunidade de poder continuar a abraçá-los contra o seu peito; outros conseguiram-no mas não mais como quando partiram, jovens saudáveis, quer no foro físico como psíquico e hoje, homens já com mais de meio século de vida, vivem sob esse tormento do chamado stress pós-guerra, arrastando nele as suas famílias e assim alastrando também o sofrimento provocado por uma guerra com a qual não tinham qualquer afinidade além do lema que era o dever de lutar pela Pátria”…

Qual PÁTRIA?.....

Zélia



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