2 comentários:
De Fernando Correia a 31 de Janeiro de 2007 às 23:24
Boa noite, D. Lasalete
Estou a comentar no Funchal, onde o mar também é salgado e a pobreza de tão envergonhada não tem qualquer condimento...
Cheguei aqui no Domingo e, um pouco antes de chegar ao local onde fico normalmente, ainda vi os plásticos e os cartões do sem-abrigo que fica ali quase todas as noites...é de uma tristeza, numa terra de uma beleza tamanha, encontrarmos pessoas a dormir na rua...
Imagine que este sem-abrigo dorme à porta dum departamento da segurança social aqui da Madeira...a cerca de 200 metros do palácio do Governo Regional...
Um Governo, que entrou para guiness book, no passado fim-de-ano por causa do fogo de artifício, em que se gastou "balúrdios"...
E, perante isto, e aqueles exemplos de desperdício no continente o que é que devemos pensar...
Estamos a viver alegremente...num país de faz-de-conta
Que país este, meu Deus.
Tenho mandado mensagens para os meus amigos, para eles ajudarem aqueles que vão precisando da nossa ajuda...não sei se tem surtido efeito...alguns hão-de achar-me "chato", mas, vou continuar...
Em relação aos poderosos deste país, que estão a esfregar as mãos de contentes por no programa dos "10 maiores Portugueses" o seu mentor, o seu ìcone, ser o predilecto, eu quero lembrar-lhes, que como diz o ditado, "não há mal, que sempre dure (o Salazar, foi-se) e bem que nunca acabe" (o poder não é eterno).
Por isso, minha querida amiga, a sua luta vai ser longa, mas a sementeira que tem feito, está a dar os seus frutos e, cada vez mais irá engrossando o grupo daqueles que estão consigo, nesta etapa regeneradora do sociedade.
Bem-haja
Fernando Correia
De INCERTO a 1 de Fevereiro de 2007 às 13:45
Boa tarde D. Lasalete

Um dia pela tarde, apeteceu-me passear e rever paisagens onde não me fizesse pensar em coisas tristes... geralmente faço isso junto ao mar, passeando na areia, esteja frio ou calor, depende como me sinta, e lá me sinto sereno, porque vejo atitudes exteriores a mim que embora preguem o "amor" ao próximo, revejo apenas teoria e nessa teoria, revejo sofrimento de quem dá a "cara" para pedir algo que não tem...
Isto aconteceu um dia, quando apenas parei para me certificar de uma direcção, assisti a uma "pobre" mulher pedindo algo que não tinha e era ver na face daquele ser humano a vergonha de pedir a quem prega amor incondicional sem reservas ou questões (perguntas)... senti na voz de quem devia agasalhar pelas palavras primeiro um desdém, tipo orgulho ferido, ou então para a fotografia, de quem estava a ser incomodado/a pelo pedido que lhe estavam fazendo.. o dito ser "humano" pediu como pedindo desculpas de estar a precisar e pedindo aonde sabia que lhe dariam, pediu apenas e só "sopa" e sentiu espinhos na resposta...

Triste e admirado por ver afinal que apesar de estar do outro lado a "assistente" que atendeu o "ser humano" que pedia apenas sopa e que desculpasse, porque não sabia como pedir.. tocou-me fundo e mais me tocou a insensibilidade da "assistente" que apesar segundo ela da hora (era meio da tarde) ainda não tinha almoçado e que não podia ser... eu olhei sem qualquer fisionomia no olhar, seja de reprimenda ou espanto, tentei manter-me sereno e triste fiquei, saindo de perto e afastando-me porque não basta ser "voluntário" é preciso saber ser "voluntário" porque penso que muito pessoal apenas está no "voluntariado" para fazer imagem, embora também saiba e conheço muitas pessoas que estão de corpo e alma, mas neste caso, foi isso que senti.. quantas vezes o som de um resposta magoa tanto, quantas vezes o olhar de uma resposta fere tanto, quantas vezes ser "voluntário" é tão difícil mesmo porque estão dando o que tem a mais e o que não tem nada para dar, a não ser apenas palavras...

Este "ser humano" sentiu-se tão humilhado/a que baixou os olhos pedindo desculpas e penso que sentiu a minha presença, me agradeceu a mim, quando eu nada tinha a ver com a situação, apenas olhei para a pessoa "assistente"/"Voluntária" da instituição e saí triste por ter assistido a uma situação que em nada abona em favor 1º da "Assistente" e depois da instituição...

Muito bonito as palavras que se lê quando se prega o amor, mas naquela altura, pensei.. vendo o olhar de quem pedia, como se de um crime se tratasse, "quem estiver sem pecado que atire a 1ª pedra" e foi assim que me senti...

Triste e mais longe do objectivo de ser voluntário de instituições que não formam as pessoas no objectivo de assistir como voluntário quem necessita, porque não basta dizer que estão precisando de voluntários, que tem voluntários , já disse em tempos, 1º devem preparar os que tem para que os que entram sintam que não estão a fazer um frete, porque acredito que na Instituição em causa existe voluntários/as de corpo e alma e com o coração cheio de "Amor" no que estão fazendo.. assistindo sem nada receber ..

Um dia Jesus para falar da caridade, contou a parábola do samaritano, para se entender a história devia se saber história, para se ser voluntário, foi ele o 1º voluntario na causa do "Amor ao Próximo " que é a meta de todo o voluntário...

Acabo aqui esta história mas acredite que a sua história tem muito de verdade, quantas vezes basta apenas uma palavra, a palavra certa no tempo certo, e quem sofre muitas das vezes não pede mais nada que não seja um pouco de atenção...

Bhaja Lasalete pela sua obra...

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