De zelia neno a 23 de Fevereiro de 2007 às 04:25

22 de Fevereiro. Acabei de ler a Caixa de Cartão após a chegada a casa vinda de casa de meu irmão onde nos juntamos para comemorar os 88 de minha mãe e de lhe proporcionarmos mais uns momentos de felicidade ao ver-se rodeada pelos filhos e especialmente pelos quatro netos que ama dolorosamente com todos os poros que sua pele tem. É um amor de avó mas bem se diz, ser avó é ser mãe duas vezes e assim sendo o seu amor quase rivaliza com o meu, como mãe. É uma bênção que Deus me concede por saber que minha mãe é uma idosa muito feliz, apesar de há já nove anos viver com a saudade que ficou com a partida física de meu querido pai e vê-la apreciar a vida rodeada, quase sufocada, com tanto amor, tanto carinho e tanta preocupação de todos nós para que se possa sentir o melhor possível pois ela o merece e esta jornada já vai longa. Com o sentimento maior que se chama Amor todos e qualquer um de nós pode contribuir para que haja menos uma Esperança deambulando por essas ruas tortuosas à procura de uma caixa de cartão onde se possa resguardar da noite e dos polícias.

Já passava das 23 horas, quando no regresso a casa e num cruzamento onde os semáforos me obrigaram a parar, uma vez mais ali estava aquela jovem numa cadeira de rodas, pois é amputada duma perna, que há muito tempo adoptou aquele local para lançar um olhar carente e simultaneamente meigo à caridade humana na esperança, muitas vezes vã, de que alguém lhe estenda a mão e lhe entregue algo que a ajude a sobreviver. Dói-me a alma sempre que olho aquela jovem com cara de menina, agarrada àquela cadeira e movimentando-se para traz e para a frente em plena faixa de rodagem, sujeitando-se ao calor de Verão e ao frio gélido desta época, pois penso que de certo ainda terá um pai ou uma mãe que provavelmente deixaram de se preocupar com ela, talvez até tivessem deixado de a amar embora para mim seja impensável que tal aconteça por quem a gerou e carregou no seu ventre. Os meandros da vida são às vezes medonhos e obscuros e o ser humano não é suficientemente bem estruturado para os conseguir ultrapassar e, quem sabe, se este não terá sido um desses casos onde nem a protagonista nem seus familiares foram capazes ou tiveram tão simplesmente a vontade e coragem de dizer não à degradação e um sim à vida e ao amor que deve unir uma família.
Que mal me sinto sempre que lhe estendo a mão. Mas que mais posso eu fazer?

Daqui por uns anos em que se irá transformar esta jovem de hoje, quando o seu doce olhar se perder e em seu lugar surgir o vazio que uns olhos azuis deixarão transparecer? Provavelmente o seu mundo, caso consiga sobreviver nele, seja um caos total quando deixar de ter uma mão caridosa que se estenda ao encontro da sua, quando as gentes passarem ao seu lado e fingirem nada ver, quando ela não for mais de que uma outra Esperança vagueando, agarrada à sua cadeira de rodas, pelas ruas da nossa cidade.

Precisamos, porque é urgente, de cultivar o amor e ensinar aos nossos filhos e netos como fazê-lo, pois caso a infelicidade cruze os nossos caminhos, possamos ter a certeza de poder colher o que bem semeamos e que teremos a sua mão amorosa para nos amparar, o seu aconchego, o seu afecto, o seu amor e mesmo sendo engenheiros que isso não seja uma barreira para a sua vergonha. O velho ditado lá diz :- Filho és, Pai serás, assim como fizeres assim receberás.

Brindemos à Solidariedade no Amor e à Esperança na Vida.

Zélia Neno


De Cartao de Credito a 2 de Outubro de 2009 às 16:26
Estas historias poem sempre uma pessoa triste. É pena haver pessoas nesta situações.
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