O Coração da Cidade precisa de amigos... seja amigo do coração...

o seu donativo é muito importante para nós...

MILLENIUM- BCP ... 0033 000000 239551298 05 

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

tão fragéis... meu Deus...

sem que propositem , perante as imagens, a piedade instala-se dentro de nós...

 

estes olhos, vencem o medo, mas a ternura que inspiram, abala o coração de qualquer ser humano...

 

como são frágeis , os seres desprotegidos pela vida... os que nada possuem para além do olhar mais doce que Deus lhes deu...

 

hoje fiquei parada, olhando a televisão...escutei mais que uma vez...

 

12 mil crianças institucionalizadas...

 

as minhas lembranças revoltas confundiram-se com as palavras a cores que a televisão fazia ecoar... 

voltei de repente para dentro de mim... já era assim quando ainda era criança... não era de ninguém... era do mundo...

 

que medo meu Deus... que fragilidade ...

que dor experimentei, quando aquelas portas enormes se fecharam atrás de mim e aquela figura feminina me olhava do cimo dessa montanha dura com dois olhos enormes e a voz mais autoritária que alguma vez ouvira...

 

eu só conhecia o mundo, onde não havia de comer, nem lençóis para dormir , nem brinquedos para brincar... mas tinha os olhos da minha mãe...

 

e agora... encerrada naquele convento...

Vairão ... isto para mim ficava no finalzinho do mundo... talvez do outro lado da casa da minha mãe e muito perto do inferno...

 

de repente descobri que não habitava só naquele local... outras mulheres igualmente altas e feias vieram ao meu encontro... despiram-me, deram-me banho, cortaram-me o cabelo e levaram o cheiro da minha mãe... sofri demais para me encontrar... quando me deitaram tremi toda a noite... e nas noites seguintes não consegui encontrar motivo para que a minha mãe se tivesse esquecido de mim naquele lugar...

 

e assim permaneci longos anos... até ser maior e descobrir que tinha que ser assim...

 

tanto se escreve sobre as crianças dentro das instituições e tão pouco se sabe do que efectivamente se passa lá dentro...

 

agradeço por ter sido retirada à pobreza... mas não era a mim que deviam ter castigado... eu com cinco anos nunca tinha feito mal a ninguém... eu não tinha culpa de os homens serem egoístas e fazerem dos mais pobres escravos permanentes... a minha mãe trabalhava muito e chorava demais porque não tinha dinheiro... nada tinha para nos dar...

 

hoje sempre que vejo uma mulher a pedir ajuda o faço em nome da minha mãe...

 

mas ainda me fere quando se fala das crianças armazenadas em instituições de caridade... por muito diferente que seja o mundo de hoje a dor continua igual e a pergunta permanece ... porque estou aqui?... que crime cometi ?... porque não tenho direito a um lar como as outras crianças?... um dia perguntei a Deus ... Pai do céu , porque não gostas de mim e me deixas-te abandonada aqui dentro?...

 

lembro-.me que por esta altura do ano as alunas internadas recebiam durante as visitas mensais dos seus familiares, laranjas e algumas goluseimas que comiam sofregamente ...

eu dificilmente recebia visitas... mas no dia das visitas das outras meninas, eu não recebia laranjas, então sem ninguém ver, depois de todos se retirarem juntava as cascas espalhadas pelo chão  e cheirava-as para me lembrar do cheiro do outro lado do muro... na esperança de recuperar o cheiro da minha mãe...

 

no mesmo local existia uma grande ameixoeira, cujo tronco centenário tinha moldado um grande buraco, onde me escondia a chorar com saudades da minha mãe e com medo de nunca mais sair daquele espaço...

 

é necessário entender a mente de quem está guardado nestes espaços, que por muito carinho que ofereçam, representam para quem lá reside, um misto de conforto e de angústia difícil de arrancar...

 

a fragilidade de quem nada tem, dói-me profundamente e sempre tento atenuar essa dor... mas, quando os números me trazem a enormidade do abandono, do colo que tanta falta faz... então aí... meu Deus, como dói...

 

tanta construção ao alto, tanta estrada maravilhosa, já conseguimos o espaço, tanta tecnologia de ponta que nos deixa de boca aberta e ainda não conseguimos tomar conta das nossas crianças, nem amamos os animais...

 

que mundo é este meu Deus ... tão frágeis que nós somos...

 

lasalete ...

neste momento eu estou ...: recordando
publicado por lapieta@sapo.pt às 19:25

link do post | comentar | favorito
3 comentários:
De ZÉLIA NENO a 22 de Janeiro de 2008 às 11:52
Triste mas muito bela esta mensagem!...Tem a beleza de me proporcionar iniciar o meu dia, que até está lindo, com um sol radioso apesar de não caloroso, dizendo uma vez mais :- Bom Dia Bom DEUS e Obrigada pelo meu acordar de hoje e muito, muito Obrigada por todos os outros que me proporcionaste nestes cinquenta e quatro anos desta jornada.
Sim, sei que perante todo o sofrimento que é sentido e vivido pela grande parte da população humana distribuída por todo o planeta Terra, na sua maioria enquanto criança, ELE me deu a bênção de aqui estar numa época e num local onde nunca precisei de sentir, no corpo e na alma, qualquer tipo deste sofrimento que ma causa dor só de saber que há milhões de crianças abandonadas, maltratadas, violadas, desnutridas e sobretudo criadas sem qualquer tipo de amor o afecto.

No meu próprio sentir, eu só posso imaginar esse sofrer, decerto bem menor do que é realmente sentido por todas esses inocentes, já que neste mundo abri os olhos pela primeira vez no seio de uma família maravilhosa, filha de um casal, ambos já com trinta anos, que se unira pela força de um grande amor e do qual eu fui o primeiro fruto. Nunca soube o que era querer pão e amor e não os ter, nunca soube o que era desejar e não poder ter uma boneca ou um par de sapatos que vira algures numa montra ou tão simplesmente um colo para me mimar e não haver ninguém disponível para me o dar. Tudo isso eu pude usufruir enquanto criança, não que a minha família fosse abastada, vivia sim do seu trabalho e do sacrifício que nele aplicava para poder viver com um certo conforto, e que não fez de mim uma criança ou uma pessoa adulta egoísta ou alheia às carências daqueles que nunca nada disso puderam ter.

Talvez por consequência disso eu sou como sou e como me conhecem as pessoas que comigo contactam, - extrovertida pela alegria com que vivo, às vezes até um bocadito “chata” pelo afago que gosto de lhes fazer, pelos abraços que gosto de distribuir e pelos sorrisos e risos que entrego gratuitamente. Haverá coisa melhor do que isto?

Por tudo isso e como não sou de maximizar os problemas que me vão surgindo na vida, pois mais ou menos graves são inerentes à condição de todo o ser humano, eu só tenho que me sentir uma pessoa razoavelmente feliz e no inicio e final de cada dia, agradecer ao Pai Criador tudo aquilo que colocou e vai colocando ao meu dispôr e se possível que faça despoletar qualquer mecanismo que faça homens e mulheres melhorar os seus comportamentos para que as crianças possam ser mais felizes, com mais Paz, Pão e Amor.

A todos que visitam este blogue, desejo um bom dia ou o que dele ainda resta.

Zélia




De cecilia a 22 de Janeiro de 2008 às 15:44
Boa tarde

Ao ler o que escreveu, fiz uma viagem á minha infaância. Os meus pais trabalhavam na então chamada Junta Distrital do Porto, mais tarde passou a ser Assembleia Distrital do Porto, agora penso que foi extinta. Esta instituição tinha a seu cargo vários colégios entre os quais Vairão e Rosa Santos (para as meninas). Ao de Vairão só fui uma vez, numa festa no Dia da Mãe.A recordação que tenho desse dia são os bolos feitos pelas freiras (até hoje nunca vi nada igual, até dava pena serem comidos de lindoS que eram). Achei a quinta imensa, mas o edificio meteu-me medo, era enorme,frio, silencioso. Não vi nenhuma menina e como me aventurei a abrir algumas portas apanhei alguns sustos, pois achei as estátuas dos santos feias, horriveis. Não Gostei.
Na Rosa Santos era diferente. Passava lá as tardes das minha férias da escola e adorava, tinha muitas amigas e na hora do lanche trocava o que levava de casa, pelo das meninas. Tinha algumas freiras que gostava (e que ainda visito quando vou a Fátima).
Cheguei a pedir ao meu pai para me internar lá. Não percebi quando a resposta foi não. Mais tarde percebi. Eu gostava de lá estar porque era filha única (até aos 12 anos), queria era brincar e para elas eu era diferente eram-me permitidas algumas traquinices.Hoje tenho saudades dessse tempo, e respeito muito todas as crianças que infelizmente precisam dessas instituições e peço a Deus que consigam crescer sem ressentimentos, pois sei que sofrem e tem carências de vária ordem., por muito bom que seja o colégio( o que não sei se era o caso).
UM Beijo enorme, para si, que deve ter tido uma vida pouco fácil e ainda assim é essa pessoa tão especial que todos admiramos.

Cecilia
De maria a 22 de Janeiro de 2009 às 11:46
22 de Janeiro de 2009
Também por lá passei uma grande parte da minha infância, ainda hoje e já com 40 anos me lembro daqueles corredores frios, das freiras, do medo, das angustias, e das questões que todos os dias me colocava, o porquê de estar alí, tinha mais irmãos mas meninas eramos duas, a minha irmã mais velha era mais madura e fingia gostar de lá estar, eu muito frágil, magra tinha medo até da minha própria sombra... grandes tareias apanhei, e quntas vezes por não saber fazer renda de bilros, isto com 3 ou 4 anos os castigos que me deram, nem sei bem como resisti a tão grande angustia. O colégio de Vairão era medonho, frio e muitas vezes desumano, ainda bem que apareceu uma família para me adotar, ainda hoje sonho com aqueles corredores que cheiravam a cera colocada por nás, tinham que brilhar mais que as estrelas no céu em noite de verão... e os natais? e os nossos aniversário, quase passavam por despercebidos, e as visitas que as outras meninas tinham e eu nem sabia bém o que era isso, o meu cabelo comprido que foi logo cortado à chegada, até parecia um rapazito..., tantas coisas que eu vos contava..., tantas histórias tristes que não me saiem da cabeça... que infância meu deus... cada vez que me falam em freiras ou colégios internos parece que me sobe um arrepio e apetece-me mesmo é calar quem fala daquelas instituições sem nunca por lá ter passado, tantas lágrimas me serviram de embalo para adormecer. na verdade não tenho inimigos, mas se os tivesse nem isto eu lhe desejaria. talvés um dia vos conte mais...
Maria

Comentar post

CONHEÇA MELHOR



mais importante que verbalizar doutrinas é humanizar atitudes


 

e-mail gifs

coracaocidade@gmail.com


free html visitor counters
hit counter




<




body

CORAÇÃO DA CIDADE ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ MOVIMENTO ECUMÉNICO ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ VOLUNTARIADO EM ACÇÃO ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥


a nossa sede na Rua Antero de Quental, nº 806- Porto

desde a inauguração desta casa que os voluntários têm sido um marco de coragem e abnegação




saiba porquê.....


O Coração da Cidade é:

é um espaço de solidariedade universal

com preocupações constantes de actualização

ao serviço permanente da comunidade onde está inserido

de conforto e amparo, servido apenas por voluntariado

onde todos os serviços prestados são e serão sempre gratuitos

promotor do voluntariado e intercâmbio associativo

O Coração da Cidade,

já estendeu a sua acção

a outros espaços do distrito do Porto

criando para o efeito

uma cadeia de Lojas Sociais ,

que lhe permitam

uma maior sensibilização

para o vuntariado

e ao mesmo tempo

detectar

novos focos de pobreza

venha até ao Coração da Cidade

faça-se voluntário

e ajude a servir,

os que mais necessitam de auxílio



CADEIA SOLIDÁRIA um euro uma razão para ajudar o Coração


é o que estamos necessitando neste momento ...

O Coração da Cidade inicou um pedido de ajuda para que seja posivel ultrapassar as suas dificuldades

associe a sua vontade de ajudar á nossa causa e contribua comnosco...

seja um amigo d'O Coração da Cidade

esperamos o seu

ajude-nos a ajudar ...

apenas um euro

Millenium BCP

0033 000000 239551298 05


gifs

ainda que eu fale a linguagem dos anjos e dos santos... se não tiver caridade nada sou...

posts recentes

AMAR COM AMPLITUDE...

A AVENTURA DO ENVELHECER ...

receber ajuda, sem ter q...

quer um coração novo... ...

3 B ... O BEM O BOM E O ...

o BEM e os BONS ...

NATAL COM ALMA

quando o amor faz a difer...

O MEU PEDAÇO DE CHÃO

O MEU PEDAÇO DE CHÃO

RESSUSCITAR PORTUGAL

O CRISTO ILUMINADO

TODOS OS CRAVOS FALAM DE ...

A CRUZ DA CONVENIÊNCIA .....

O BANQUETE DAS FERAS

SEMPRE QUE O AMOR ME QUIS...

MOMENTOS DE SOLIDÃO/ SUIC...

SER CIDADÃO É ESTAR ATENT...

EXECUTORES DO DESTINO

A ALMA ÀS RISCAS ... OU A...

estou quase nascer...vai...

HÁ FESTA NA MINHA RUA ...

TODOS OS NATAIS SÃO SEMEL...

...

O NATAL DOS ANJOS...

O AMOR É A FORÇA DA BOA V...

UMA ROSA PARA QUEM SABE B...

SE O MUNDO TIVESSE A COR ...

À PROCURA DE UM CAMINHO.....

OS BONS TÊM QUE ACORDAR.....

recolha alimentar com gen...

subscrever a vida com amo...

ser mulher ...É SER LIBER...

obrigada...

MIGALHA --- UMA PIRÂMIDE...

MIGALHAS DE AMOR PARA PRE...

2014... só de mãos dadas

ABRACE UMA MESA DE NATAL....

O AMOR ESTÁ CHAMANDO A HU...

ONDE MORA A LIBERDADE ?.....

uma luz na escuridão...

11 ANOS DE AMOR E DOR…

a química da lágrima e a ...

E VOLTAMOS A FALAR DE POB...

O CORAÇÃO DA CIDADE , tem...

ALIMENTAÇÃO...VERSUS...HU...

Oração da Ternura

os artistas de Deus...

AMAR COM AMPLITUDE…

FOME DE PALAVRAS ...

mais comentados

8 comentários
5 comentários
5 comentários
4 comentários
4 comentários
4 comentários
4 comentários
4 comentários

arquivos

tags

portugal

vida

porto

portoblogs

eu

amor

parlamento

actualidade

pobreza

solidariedade

politica

país

política

eu pensamento poesia blogs

blogs

poesia

eu pensamento blogs vida solidão pobreza

pensamento

solidão

pensamentos

todas as tags