3 comentários:
De ZÉLIA NENO a 22 de Janeiro de 2008 às 11:52
Triste mas muito bela esta mensagem!...Tem a beleza de me proporcionar iniciar o meu dia, que até está lindo, com um sol radioso apesar de não caloroso, dizendo uma vez mais :- Bom Dia Bom DEUS e Obrigada pelo meu acordar de hoje e muito, muito Obrigada por todos os outros que me proporcionaste nestes cinquenta e quatro anos desta jornada.
Sim, sei que perante todo o sofrimento que é sentido e vivido pela grande parte da população humana distribuída por todo o planeta Terra, na sua maioria enquanto criança, ELE me deu a bênção de aqui estar numa época e num local onde nunca precisei de sentir, no corpo e na alma, qualquer tipo deste sofrimento que ma causa dor só de saber que há milhões de crianças abandonadas, maltratadas, violadas, desnutridas e sobretudo criadas sem qualquer tipo de amor o afecto.

No meu próprio sentir, eu só posso imaginar esse sofrer, decerto bem menor do que é realmente sentido por todas esses inocentes, já que neste mundo abri os olhos pela primeira vez no seio de uma família maravilhosa, filha de um casal, ambos já com trinta anos, que se unira pela força de um grande amor e do qual eu fui o primeiro fruto. Nunca soube o que era querer pão e amor e não os ter, nunca soube o que era desejar e não poder ter uma boneca ou um par de sapatos que vira algures numa montra ou tão simplesmente um colo para me mimar e não haver ninguém disponível para me o dar. Tudo isso eu pude usufruir enquanto criança, não que a minha família fosse abastada, vivia sim do seu trabalho e do sacrifício que nele aplicava para poder viver com um certo conforto, e que não fez de mim uma criança ou uma pessoa adulta egoísta ou alheia às carências daqueles que nunca nada disso puderam ter.

Talvez por consequência disso eu sou como sou e como me conhecem as pessoas que comigo contactam, - extrovertida pela alegria com que vivo, às vezes até um bocadito “chata” pelo afago que gosto de lhes fazer, pelos abraços que gosto de distribuir e pelos sorrisos e risos que entrego gratuitamente. Haverá coisa melhor do que isto?

Por tudo isso e como não sou de maximizar os problemas que me vão surgindo na vida, pois mais ou menos graves são inerentes à condição de todo o ser humano, eu só tenho que me sentir uma pessoa razoavelmente feliz e no inicio e final de cada dia, agradecer ao Pai Criador tudo aquilo que colocou e vai colocando ao meu dispôr e se possível que faça despoletar qualquer mecanismo que faça homens e mulheres melhorar os seus comportamentos para que as crianças possam ser mais felizes, com mais Paz, Pão e Amor.

A todos que visitam este blogue, desejo um bom dia ou o que dele ainda resta.

Zélia




De cecilia a 22 de Janeiro de 2008 às 15:44
Boa tarde

Ao ler o que escreveu, fiz uma viagem á minha infaância. Os meus pais trabalhavam na então chamada Junta Distrital do Porto, mais tarde passou a ser Assembleia Distrital do Porto, agora penso que foi extinta. Esta instituição tinha a seu cargo vários colégios entre os quais Vairão e Rosa Santos (para as meninas). Ao de Vairão só fui uma vez, numa festa no Dia da Mãe.A recordação que tenho desse dia são os bolos feitos pelas freiras (até hoje nunca vi nada igual, até dava pena serem comidos de lindoS que eram). Achei a quinta imensa, mas o edificio meteu-me medo, era enorme,frio, silencioso. Não vi nenhuma menina e como me aventurei a abrir algumas portas apanhei alguns sustos, pois achei as estátuas dos santos feias, horriveis. Não Gostei.
Na Rosa Santos era diferente. Passava lá as tardes das minha férias da escola e adorava, tinha muitas amigas e na hora do lanche trocava o que levava de casa, pelo das meninas. Tinha algumas freiras que gostava (e que ainda visito quando vou a Fátima).
Cheguei a pedir ao meu pai para me internar lá. Não percebi quando a resposta foi não. Mais tarde percebi. Eu gostava de lá estar porque era filha única (até aos 12 anos), queria era brincar e para elas eu era diferente eram-me permitidas algumas traquinices.Hoje tenho saudades dessse tempo, e respeito muito todas as crianças que infelizmente precisam dessas instituições e peço a Deus que consigam crescer sem ressentimentos, pois sei que sofrem e tem carências de vária ordem., por muito bom que seja o colégio( o que não sei se era o caso).
UM Beijo enorme, para si, que deve ter tido uma vida pouco fácil e ainda assim é essa pessoa tão especial que todos admiramos.

Cecilia
De maria a 22 de Janeiro de 2009 às 11:46
22 de Janeiro de 2009
Também por lá passei uma grande parte da minha infância, ainda hoje e já com 40 anos me lembro daqueles corredores frios, das freiras, do medo, das angustias, e das questões que todos os dias me colocava, o porquê de estar alí, tinha mais irmãos mas meninas eramos duas, a minha irmã mais velha era mais madura e fingia gostar de lá estar, eu muito frágil, magra tinha medo até da minha própria sombra... grandes tareias apanhei, e quntas vezes por não saber fazer renda de bilros, isto com 3 ou 4 anos os castigos que me deram, nem sei bem como resisti a tão grande angustia. O colégio de Vairão era medonho, frio e muitas vezes desumano, ainda bem que apareceu uma família para me adotar, ainda hoje sonho com aqueles corredores que cheiravam a cera colocada por nás, tinham que brilhar mais que as estrelas no céu em noite de verão... e os natais? e os nossos aniversário, quase passavam por despercebidos, e as visitas que as outras meninas tinham e eu nem sabia bém o que era isso, o meu cabelo comprido que foi logo cortado à chegada, até parecia um rapazito..., tantas coisas que eu vos contava..., tantas histórias tristes que não me saiem da cabeça... que infância meu deus... cada vez que me falam em freiras ou colégios internos parece que me sobe um arrepio e apetece-me mesmo é calar quem fala daquelas instituições sem nunca por lá ter passado, tantas lágrimas me serviram de embalo para adormecer. na verdade não tenho inimigos, mas se os tivesse nem isto eu lhe desejaria. talvés um dia vos conte mais...
Maria

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