De cecilia a 22 de Janeiro de 2008 às 15:44
Boa tarde

Ao ler o que escreveu, fiz uma viagem á minha infaância. Os meus pais trabalhavam na então chamada Junta Distrital do Porto, mais tarde passou a ser Assembleia Distrital do Porto, agora penso que foi extinta. Esta instituição tinha a seu cargo vários colégios entre os quais Vairão e Rosa Santos (para as meninas). Ao de Vairão só fui uma vez, numa festa no Dia da Mãe.A recordação que tenho desse dia são os bolos feitos pelas freiras (até hoje nunca vi nada igual, até dava pena serem comidos de lindoS que eram). Achei a quinta imensa, mas o edificio meteu-me medo, era enorme,frio, silencioso. Não vi nenhuma menina e como me aventurei a abrir algumas portas apanhei alguns sustos, pois achei as estátuas dos santos feias, horriveis. Não Gostei.
Na Rosa Santos era diferente. Passava lá as tardes das minha férias da escola e adorava, tinha muitas amigas e na hora do lanche trocava o que levava de casa, pelo das meninas. Tinha algumas freiras que gostava (e que ainda visito quando vou a Fátima).
Cheguei a pedir ao meu pai para me internar lá. Não percebi quando a resposta foi não. Mais tarde percebi. Eu gostava de lá estar porque era filha única (até aos 12 anos), queria era brincar e para elas eu era diferente eram-me permitidas algumas traquinices.Hoje tenho saudades dessse tempo, e respeito muito todas as crianças que infelizmente precisam dessas instituições e peço a Deus que consigam crescer sem ressentimentos, pois sei que sofrem e tem carências de vária ordem., por muito bom que seja o colégio( o que não sei se era o caso).
UM Beijo enorme, para si, que deve ter tido uma vida pouco fácil e ainda assim é essa pessoa tão especial que todos admiramos.

Cecilia
De maria a 22 de Janeiro de 2009 às 11:46
22 de Janeiro de 2009
Também por lá passei uma grande parte da minha infância, ainda hoje e já com 40 anos me lembro daqueles corredores frios, das freiras, do medo, das angustias, e das questões que todos os dias me colocava, o porquê de estar alí, tinha mais irmãos mas meninas eramos duas, a minha irmã mais velha era mais madura e fingia gostar de lá estar, eu muito frágil, magra tinha medo até da minha própria sombra... grandes tareias apanhei, e quntas vezes por não saber fazer renda de bilros, isto com 3 ou 4 anos os castigos que me deram, nem sei bem como resisti a tão grande angustia. O colégio de Vairão era medonho, frio e muitas vezes desumano, ainda bem que apareceu uma família para me adotar, ainda hoje sonho com aqueles corredores que cheiravam a cera colocada por nás, tinham que brilhar mais que as estrelas no céu em noite de verão... e os natais? e os nossos aniversário, quase passavam por despercebidos, e as visitas que as outras meninas tinham e eu nem sabia bém o que era isso, o meu cabelo comprido que foi logo cortado à chegada, até parecia um rapazito..., tantas coisas que eu vos contava..., tantas histórias tristes que não me saiem da cabeça... que infância meu deus... cada vez que me falam em freiras ou colégios internos parece que me sobe um arrepio e apetece-me mesmo é calar quem fala daquelas instituições sem nunca por lá ter passado, tantas lágrimas me serviram de embalo para adormecer. na verdade não tenho inimigos, mas se os tivesse nem isto eu lhe desejaria. talvés um dia vos conte mais...
Maria
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