Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

sonhos e rostos ... na linha da pobreza

 

            Entre o correcto e o absurdo, o mundo perdeu-se na abstratividade, iludindo a razão, fugindo à essencialidade da vida, pensando que assim unia o céu à Terra.
            No entanto, na vida perdeu-se o fundamental, que tem vindo a crescer assustadoramente: o respeito pela vida humana avolumando os grupos de miséria numa extenuante odisseia onde o consumismo tem um lugar primordial que, não dando tréguas, engole desesperados aqueles que, esquecidos no seio de tanta confusão, se sentem filhos de um Deus menor.
            Os crentes aproximam-se de Deus, os pagãos insistem, por vezes, no pragmatismo exagerado, os pobres revestem-se de propositada esperança e ficam à espera sem que, para tanto, tenham a possibilidade de reagir.
Multiplicam-se insistentemente as instituições de apoio.
De tempos a tempos, o mundo, após uma catástrofe qualquer, reveste-se de uma onda de altruísmo. Desobstruída a mente pelo impacto da dor, renovam-se promessas de comprometimento que, a médio prazo, não mais se cumprirão.
Tudo fica pelo caminho! Apenas subsiste o que, construído por amor e plenamente escudado no respeito profundo pelo sofrimento alheio, permanece sem esperar recompensa, nem protagonismos habituais ou males esporádicos que não sejam aqueles que, habitualmente e a seus pés, poisam pedindo diariamente arrego.
Mas, como em tudo, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. As novas tecnologias resolvem o mercado de trabalho, tornando-o mais célere e mais uniforme e, neste complexo da modernidade dos tempos, baixam braços, dispensam-se experiências construídas paulatinamente no tear dos tempos que, vertiginosamente, avolumam o pantanal da dor onde toda a espécie humana, que não tem lugar, aporta obrigatoriamente.
Respostas ninguém as dá; surgem as tecnocracias, as autodidactomias, estudam-se os perfis tórridos dos que gravitam na desprotecção, dividem-se as opiniões quanto a prioridades. Ao mesmo tempo multiplicam-se os necessitados e, quando parece conclusivo o processo de resolução, verifica-se que não é a resposta adequada.
Os mais pacatos ou pacifistas desnudam o problema noutro sistema filosofando sobre o assunto, tentando roubar nesgas de subconsciente como se imitassem na letra, pedaços da alma que não vivenciaram.
            As sociedades conferem as vontades, os médicos referem novas psicopatologias, os políticos insistem dizendo que têm soluções e aportam, como todos, num mar de indecisões que se transferem continuamente. Por último, a demagogia enfeita os discursos daqueles que de desemprego, fome e miséria, nada percebem.
            Tudo continua à espera que um milagre aconteça e venha entretanto favorecer os que precisam; por isso mesmo, não é de estranhar que os mais incautos se afoguem num mar imenso de promessas e que se deixem arrastar para o precipício do fanatismo e, em simultâneo, de crença em crença, desvirtuam-se credos e proliferam estonteantes e dogmáticas parlapatices destituídas de fundamento. Os charlatães estabelecem-se à revelia de qualquer lei. Projectam-se opiniões teosoficamente incorrectas avolumando também, mais um pouco, o descrédito e concorrendo, por sua vez, para a já paupérrima e incontornável miséria humana, que transparece na ignorância daqueles que utilizam Deus e a espiritualidade, do mesmo modo que mercadejam na Terra.
            Sem demérito no crediário popular, o apego ao bem tem favorecido de uma forma oculta e perfeita a caridade expontânea, a entre-ajuda que, mesmo não dissipando, sempre alivia um pouco a dor.
            Afinal, o que falta neste palco de revelações instantâneas e de difícil solução?... muito simples: educação desde o berço, respeito pela educação infantil, respeito pelo desenvolvimento juvenil, tolerância pelo desenvolvimento humano para que, em todos os meios, seja o amor a garantir as fundações de uma sociedade mais justa, abraçando, assim, a espontaneidade do sistema de acções, de benemerência que são urgentes instituir sobre a Terra.
 
A célula familiar que os entendidos dizem defender, é falseada por um conjunto de atitudes contrárias à própria educação. Isto acontece quando se aprova, aceitando a antítese do que deveria ser o sistema educacional, por omissão de opiniões, ombreando com a permissividade, quando se dificulta o trabalho daqueles que se doam aos outros e que se interessam, viva e activamente, pelo meio em que estão inseridos e que, se fossem apoiados, constituiriam pólos vivos de crescimento porque, internamente, habitam numa psicologia nova à qual acrescentam o amor pelo ser humano. A isto podemos chamar de real vocação, em tudo inspirada pela mente divina, que tudo aproveita para o engrandecimento da vida em toda a sua plenitude.
A economia mundial não está preparada para funcionar emocionalmente. Com uma mente absolutamente numérica, enferma de irracionalidade e retira sempre aos mais necessitados a possibilidade de uma vida mais digna. Mas, no entanto, aparentemente, adentra pelas reformulações que, apenas no papel, mostram dados de alguma sensibilidade.
Na acção, rapidamente nos apercebemos que os números dessa mesma economia, apenas conseguirão subir o número dos excluídos.
Na generalidade, aceitamos que todos os seres são iguais aos olhos de Deus, mas ainda não o são aos olhos dos homens.
Têm os mesmos sonhos, desejam ser felizes, aspiram a situações de dignidade, projectaram para eles e para a sua geração uma vida melhor. O tempo vai guardando algumas vontades e verificamos que alguns não conseguiram sonhar... outros, estiveram muito perto de concretizar o seu sonho.
De repente, tudo mudou. O mercado de trabalho rejeita-os, a sua alma começa a desenhar negros e crepusculares horizontes e hoje são mais um rosto na linha da pobreza.
Cada ser humano é único na sua morfologia, mas mais único ainda na sua personalidade;por isso mesmo encantador, o que não lhe basta para que o reconheçam e o conduzam assim, ajudando-o através dessa singular honestidade projectada na mente divina, que apenas é acoplada ou desestruturada pelos seus desejos e capacidades.
Na actualidade, vamos descobrindo novos sonhos, novos rostos trilhando a linha da pobreza, caminho este, até há bem pouco tempo, inimaginável de trilhar.
Todos entendemos ( loucamente) que a pobreza pode passar e parar à porta do nosso semelhante, mas nunca à nossa porta.
Hoje em dia, a pobreza já não sofre o cunho da hereditariedade, mas aglutina-se inversamente, surpreendendo por onde passa, chacoteando situações e posições outrora socialmente tidas como estáveis e hoje apopléticamente destruídas e atiradas para um canto, como num bailado dantesco onde, todos os que valsam acabam sangrando deitados ao chão.
Ainda assim, continua a ser o Amor a possibilidade que todos têm ao seu alcance, balanceado ao ritmo humano mas, no entanto, através duma melodia divina que a todos embala docemente para que se concretize no tempo a solidariedade necessária, no sentido de que, todos aproveitemos evoluindo, dando e recebendo harmonia em comum.
Dessintonizados que estamos dos propósitos divinos, retiramo-nos das nossas tarefas subjugados pelo egoísmo, submetendo os demais ao nosso jugo, sem percebermos como sofrem aqueles que, não tendo as nossas reais possibilidades, têm que esmolar auxílio.
Não sendo auxiliados em primeiro mão, não podemos dizer que o solicitem porque, quando conseguido esse auxílio, tem exactamente o cunho de esmola de tão doloroso trânsito.
O Coração da Cidade, projectado no tempo, não estende os braços para dar esmolas, mas apenas para servir correctamente os propósitos divinos - ajudar sem humilhar - não dificultando a ajuda, dando de graça porque de graça recebeu a possibilidade de servir, ajudando preferencialmente com a qualidade que tem para si, elevando a auto estima àqueles que precisam.
Não faz diferença de si e dos outros, transporta-se transportando os que precisam ao ritmo da alegria e do bem estar, incentivando-os a caminhar em frente.       
Sem demagogias ou fanatismos, mas aproveita nos outros o que eles possuem de melhor, para que não sejam, como é vulgar ver-se, homens que se arrastam como restos humanos, de quem ninguém fala, a quem ninguém ama e por quem  nada se faz.
 
Os critérios usados em apoio social, parecendo, não são os mesmos para todos, pelo menos constitucionalmente, nem todos estão sentindo os seus direitos perfeitamente instituídos. Deles não têm conhecimento nem deles aproveitam.
 
       Projectando um apoio social optimizado num método visando um futuro menos difícil para os que precisam e mais aliciante para os que podem trabalhar em prol de situações difíceis, como voluntários activos, o Coração da Cidade apresenta-se a cada dia com: NOVAS IDEIAS ou seja NOVOS GESTOS de solidariedade para um novo rosto de pobreza que começa a desenhar-se assustadoramente.
 
            Não nos será possível operar nos moldes habituais no que concerne à ajuda fraterna aos mais carenciados.
            Não apadrinharemos mais a sobrevivência, mas trabalharemos a par com outros parceiros sociais, que queiram lutar connosco, para que a auto estima de quem vive amarguradamente, seja possível de acontecer.
            Trabalharemos na expectativa de algo conseguirmos, que nos possa ajudar a negativização dos focos de pobreza existentes.
            Lutaremos na perspectiva de assegurar que novos rostos de pobreza não surjam.
            Como o rosto da pobreza se está definindo através da nova linha da pobreza decorrente do desemprego acelerado e insistente, também os contornos de ajuda devem ser acelerados e insistentes e demasiado activos.
Por tudo isto e não só, o Coração da Cidade oferece as novas instalações, com a qualidade e o aspecto de um espaço com dignidade, onde o luxo passa exclusivamente pelo bom gosto, para que, quem aqui possa permanecer, não se sinta demasiado assistido por aparências de ancestrais métodos que teimam em prevalecer.
 
Aqui podemos encontrar
  • Um espaço de recepção acolhedor
  • Um imediato apoio das necessidades essenciais
  • Socorro permanente à solidão esquecida
  • Triagem construtiva com referenciais concretos de ajuda plena
  • Bolsa de emprego com caracter de urgência
  • Concretização material de enxovais até á idade de 12 meses
  • Tratamentos de higiene pessoal e cabeleireiro
  • Serviço de rouparia , sapataria e ménage
  • Acompanhamento pessoal aos mais idosos sem apoios
  • Serviço de ajuda alimentar no seio familiar
  • Apoio médico de enfermagem e medicamentoso
  • Formação e treino/estágio e acompanhamento de novos voluntários oriundos de várias escolas e faculdades
Apoiar para evoluir....evoluir para apoiar
 
 
 
Lasalete
neste momento eu estou ...: atenta... muito atenta...
publicado por lapieta@sapo.pt às 06:50

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1 comentário:
De ana raquel gomes barreleiro a 2 de Junho de 2008 às 15:08
Este texto, assim como os de mais é espetacular! sempre grandes verdades às quais uma pessoa nao tem argumentos para contestar e além de que se "nao via algo de X forma" ao ler fica a ver (:
Primeiro as pessoas tem mesmo que ser educadas, pois so a titulo individual se vai poder constituir uma sociedade evolutiva e moralmente reta.
Nao sabia que davam apoio "escolar" deve ser muito interessante!!!!
bjinhos

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CORAÇÃO DA CIDADE ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ MOVIMENTO ECUMÉNICO ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ VOLUNTARIADO EM ACÇÃO ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥


a nossa sede na Rua Antero de Quental, nº 806- Porto

desde a inauguração desta casa que os voluntários têm sido um marco de coragem e abnegação




saiba porquê.....


O Coração da Cidade é:

é um espaço de solidariedade universal

com preocupações constantes de actualização

ao serviço permanente da comunidade onde está inserido

de conforto e amparo, servido apenas por voluntariado

onde todos os serviços prestados são e serão sempre gratuitos

promotor do voluntariado e intercâmbio associativo

O Coração da Cidade,

já estendeu a sua acção

a outros espaços do distrito do Porto

criando para o efeito

uma cadeia de Lojas Sociais ,

que lhe permitam

uma maior sensibilização

para o vuntariado

e ao mesmo tempo

detectar

novos focos de pobreza

venha até ao Coração da Cidade

faça-se voluntário

e ajude a servir,

os que mais necessitam de auxílio



CADEIA SOLIDÁRIA um euro uma razão para ajudar o Coração


é o que estamos necessitando neste momento ...

O Coração da Cidade inicou um pedido de ajuda para que seja posivel ultrapassar as suas dificuldades

associe a sua vontade de ajudar á nossa causa e contribua comnosco...

seja um amigo d'O Coração da Cidade

esperamos o seu

ajude-nos a ajudar ...

apenas um euro

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