Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

a cidade dos anjos...

a manhã despontou  bonita como sempre, trazendo vontade de gritar a Deus ... OBRIGADA ...

 

o trânsito acontecia como habitualmente lento e chorão, rompendo a cidade com o barulho dos automóveis que apenas cumpriam o seu destino...

 

nos rostos de quem conduzia, bailava a preocupação de chegar a tempo  ao emprego...

 

depois de alguns minutos, cheguei ao coração da cidade... na Avenida dos Aliados, uma árvore gigantesca , já começava a mostrar a monstruosidade do seu tamanho, porém, nunca será tão grande como o desespero de muitos portuenses, que aflitos estão sem luz há vários meses, porque não têm dinheiro para pagar este bem tão necessário... e as casas onde a escassez de meios acontece, têm lá dentro muitas crianças que necessitam estudar e brincar, mas que não têm luz e por isso mesmo, não podem fazer nada que contribua para o seu crescimento...

 

a cidade continua a sua vidinha de sempre e nem se interroga...

se a cidade tem dinheiro para tantos gastos e desperdício de verbas desta natureza, quando afinal existem aflições humanas que cortam o coração, problemas maiores e desesperantes com os que nada possuem...

como é possivel que tudo isto aconteça meu Deus ?...

de quem é o dinheiro que paga tudo isto ?...

quando vamos criar na cidade do Porto, um referendo que indique as prioridades dos portuenses?...

 

assim, cogitando das necessidades dos portuenses, lá fui direitinha a "O Coração da Cidade" , mas aqui de verdade...

 

quando cheguei, já a instituição estava repleta de mulheres e homens que só queriam pedir ajuda, mas que estevam esperando pela sua vez, pacientemente ,,,

 

porém, um jovem habitual, que já frequenta O Coração da Cidade , vai para 10 anos, ali se encontrava... cambaleava, dizendo que apenas queria ENCOSTAR A CABEÇA...

 

deitamos o jovem e ele ali ficou, acomodado até à noite, dormindo que nem um justo ...

comeu por duas vezes, fazendo intervalo para dormir...  até que começou a dizer e a repetir disparates, berrando e cambaleando , o que nos levou a insistir com ele para que se acomodasse em silêncio , o que ele acatou...

 

já pelas oito horas da noite, depois de pretendermos encerrar o horário do jantar, o jovem insistia que queria dormir ... propusemos levá-lo a uma pensão e custear o quarto para que pudesse dormir sossegado... não aceitou...

 

mostrava-se bastante combalido e só queria dormir no chão à porta da instituição... depois queria morrer...

chamamos o INEM que ocorreu passado um pouco...

embora todos os esforços, dos  jovens médicos que o socorreram o utente, que devido ao seu estado se prontificaram a levá-lo para o hospital, este depois de já estar dentro do carro deitado na maca respectiva e de lhe prometermos que depois de voltar lhe pagaríamos a pensão durante o tempo que fosse necessário,  não quis acompanhar os clínicos... e preferiu ficar no chão a dormir... tem apenas 30 anos de idade...

 não se pode fazer nada contra a vontade dum cidadão, explica o médico, a lei não permite... e se ele quer dormir na via pública, nada se pode fazer... nem a PSP... esta continua a ser a lei mais conveniente...

deixamos na mão dele dinheiro para procurar uma pensão... depois de termos insistido que um voluntário o levava de carro onde ele quisesse... nada ...

saímos tarde , mas ele ali ficou deitado no chão recusando ir dormir ...

nada pudemos fazer, ele entende que tem o direito de dormir onde quer ... e grita para quem quer ouvir, que o chão é a cama dele... foi assim que o país o colocou...

 

ao regressar a casa, pensei na árvore de Natal da Avelida dos Aliados e como seria bom que todos tivessem casa e conforto e não este estandarte  metálico,que de certeza vai ficar muito bonito, mas que contrasta dramáticamente com o número aberrante de necessidades de quem nada possui... creio até, que é uma provocação numa quadra em que a desespero de nada possuirmos, está ali para  mostrarnos que afinal, dinheiro existe, o problema é que não queremos distribuí-lo, porque entendemos que existem raças superiores e que os inferiores são para exterminar, pela fome, pelo frio e pela dor...

 

se o orçamento da cidade e de todas as instituições solidárias , que abundam em dinheiro, fosse gerido como é O Coração da Cidade, de certeza que muita gente viveria mais feliz...

 

este holocausto humano, doí dentro do coração de quem já evolui um pouco mais...

como seria bom que a Câmara do Porto, inaugurasse um mini hotel para todos os que estão na rua,,,tenho a certeza que a verba daquela árvore, ajudaria a edificá-lo e que até os comerciantes do Porto, não se imprtariam de pagar uma pequena taxa, para sustentar esse espaço e que os voluntários de tantas instituições que distribuem leitinho e cobertorzinhos por aí, se juntassem e dentro desse mini hotel, exercessem a sua solidariedade noturna, abrigando todos os que dormem no chão...

 

mas a lei é conveniente ... e à partida iliba de responsabilidade os que preferem ignorar...

não existe uma lei que obrigue um cidadão a recolher-se...

fazem-se leis para tudo, mas esta não acontece, embora eu já tenha reivindicado em várias reuniões camarárias... olham para mim a sorrir, como se eu fosse de outro planeta e não percebesse que pobre neste mundo não tem lugar...

 

às vezes pergunto:-que homens regem os nosso destinos?... certamente, os que nós  merecemos...

para muito ser humano, a vida continua a ser um cárcere diário e muitos de nós pelas atitudes que tomamos os seus distintos carcereiros... senão CARRASCOS...

 

como são diminutos os dieitos de alguns portugueses... opções que de certeza nem Salazar as apoiaria, que pelo menos, abria albergues para não importunar os senhores e as senhoras que passeavam à noite na avenida e não queriam ser incomodados com tão nefastas presenças...

 

não por este motivo, mas por amor, deveria existir uma lei que obrigasse a que ninguém dormisse no chão...

 

que bom seria que a cidade do Porto tivesse coração e que não fosse necessário existir um Coração da Cidade...

 

ao olhar o Porto, abandonado e triste, sem árvores naturais na avenida, onde eu brinquei, onde eu sonhei,  onde eu amei,onde eu chorei, onde eu assistia aos cortejos carnavalescos, onde eu iluminei o olhar com o fogo de S. João, onde eu livremente gritei por várias vezes  a plenos pulmões LIBERDADE, agora esteja transformda, para quem quer ver, na amalgama de ferros que se elevam, tão esqueléticos como os corpos que definham sem comer, prque não há dinheiro para eles, nem verba para curar a loucura da toxicodependência...

 

minha querida cidade, que já me acolheste no chão, onde um dia, também eu pedi esmola e à qual pago lúcidamente o tributo da tua personalizada acção social, que um dia me retirou da miséria salazarenta de outros tempos, que me ensinas-te o que sei, me instruis-te, me ajudas-te a crescer, plano social esse, que me deu asas para chegar onde estou neste momento, que investis-te em mim...

minha querida cidade do Porto, diz-me: - que mais posso fazer por ti?...para pagar-te o que te devo... não... deixar-te morrer nunca...

 

quem passa percebe que dentro de ti ,  apenas existem os anjos da cidade...

os que tem asas solidárias e ajudam a dormir os que não têm nada de seu...

 

todo o mundo adormese... apenas as sombras peregrinas do desespero se juntam aos anjos para que eles ganhem as suas asas...

 

à noite o chão se oferece, frio e cinzento, sujo e fétido, cuspido e incerto, como cama alternativa à cama que nunca existirá por vontade governamental...

 

que um anjo de misericórdia , fique ao lado daqueles que nada têm , que adoptam apenas as pedras da rua para pernanecer vivos durante muito tempo...

 

a cidade dos anjos... a cidade do Porto ...  a assimetria visivel dum povo que não se envergonha de matar lentamente e se ilude com iluminações de Natal...

 

uma árvore onde cada lâmpada representa um grito duma criança sem pão, de um adulto sem emprego, dum velhinho sem medicação...

enfim,  à vista desarmada, a sintonia perfeita para sermos solidários ...

 

lasalete ...

neste momento eu estou ...: trabalhando
publicado por lapieta@sapo.pt às 23:40

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a nossa sede na Rua Antero de Quental, nº 806- Porto

desde a inauguração desta casa que os voluntários têm sido um marco de coragem e abnegação




saiba porquê.....


O Coração da Cidade é:

é um espaço de solidariedade universal

com preocupações constantes de actualização

ao serviço permanente da comunidade onde está inserido

de conforto e amparo, servido apenas por voluntariado

onde todos os serviços prestados são e serão sempre gratuitos

promotor do voluntariado e intercâmbio associativo

O Coração da Cidade,

já estendeu a sua acção

a outros espaços do distrito do Porto

criando para o efeito

uma cadeia de Lojas Sociais ,

que lhe permitam

uma maior sensibilização

para o vuntariado

e ao mesmo tempo

detectar

novos focos de pobreza

venha até ao Coração da Cidade

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e ajude a servir,

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