e ao próximo como a mim mesmo...na doce posição de cooperante do Universo ...
Foi assim que hoje me senti... inviolável e constante perante o amor divino...
Sujeitas às leis de ordem universal, percebi que nada nem ninguém me poderia roubar à ordem instituída ...
Ninguém disse à natureza é preciso mudar a hora ... porém, mal raiaram os primeiros luzeiros da manhã, muito embora o frio que se faz sentir, os pardais aderiram de pronto aos cânticos matinais...
Os eucaliptos dobrados os peso das flores que os enfeitam, balançavam suavemente acompanhando o chilreio ...
O cedro altaneiro e bem disposto pensava que tudo funcionava em sua homenagem e sentia-se feliz... o cheiro da erva solta pelo chão denunciava amor e criatividade mas não pela mão do homem...
Mais além, um bando de melros novos, aparecia, pontilhando de negro cintilante as folhas dos arbustos vizinhos, ensaiando os primeiros passos da dança nupcial... deixando antever que pelos fins da primavera seus filhotes encheriam de sons inconfundíveis as minhas manhãs ...
O frio, contrastava e bem, com o calor que minha alma sentia perante tanta beleza... e eu renovei a certeza de que é mesmo necessário amar a Deus sobre todas as coisas ... mas também ao próximo como a nós mesmos, pois só assim é possível descobrir a natureza na sua mensagem de sublime humildade, cumprindo fielmente o tempo e as ordens divinas...
Assustei-me porém ao perceber que em redor nem tudo estava conforme...
Alguém chorava faminto de amor...
...um homem velho, seminu e encerrado nas suas recordações, espelhava agonia e desconforto à semelhança daqueles, que confundidos porque confundiram a vida e atropelados pela morte, despertam sem despertar e se recolhem ao tugúrio sanguinolento das suas monstruosas recordações...
Como destoava no meio de tanta beleza...
Em toda esta paisagem apenas o elemento humano precisa de cumprir as ordens do Pai Celestial...
Se todos nós pudéssemos pensar como é importante rever cada acto, para que perante ele e no tempo certo, possamos fazer-lhe os reparos correctos, não nos acharíamos assim, como este espírito... trôpego , cego de vingança e seco de presunção daquilo que pensa ainda possuir...
Em tudo o que nos rodeia se descobre a mão divina... e nas coisas que pensamos possuir também... daí que, se assim pensarmos, nos seja mais facíl separarm-nos delas...
Não é de orações ou novenas sem sentido espiritual, que vamos alimentar a humanidade, mas será ensinando a colocar em prática pequenos grandes acertos como : o perdão, a humildade, o desprendimento, a caridade, que funcionará como êmbolo propulsor, que nos imprimirá novo rumo frente às realidades espirituais que nos esperam...
Hoje despertei visualizando diferentes detalhes da natureza e da criação divina e vai para os animais e as plantas a nota máxima do amor e do cumprimento do dever...
Aos homens, cabe ainda e durante muito tempo, aprender qual é o seu papel no seio da criação... através do halo da vida...
Seriam pouco mais de 7,30 horas da manhã quando a carrinha partiu da instituição rumo a Coimbra.
Eram mais ou menos 11 horas e todos estavamos na posse da notícia que entristeceu o nosso dia... os voluntários que madrugaram ( acidentados na estrada perto de Coimbra )estavam parados no meio do trânsito, doridos e no meio de tanta chuva graças a Deus, ilesos... depois de se olhar a carrinha desfeita desfeita e sem préstimo, só a mão de Deus os segurou. Nem sempre se pode sorrir, mas sempre algo acontece para se poder agradecer... os nossos amigos voluntários depois de passarem pelo hospital de Coimbra para onde foram transportados pelo INEM, medicados, vieram para a instituição...preocupados pelo ocorrido, chegaram pelas 21 horas muito tristes porque não conseguiram trazer a carga de alimentos que foram buscar. Voluntários de muita coragem, que me arrancaram lágrimas de agradecimento... o desprendimento pessoal é grande entre aqueles que cumprem sem hesitar o seu mais dilecto dever... o respeito pela necessidade alheia.
Deus sempre ajuda aqueles que estão ao serviço do bem. Hoje pela manhã ainda estava a preparar o meu dia e alguém fez chegar até mim um bonito embrulho, anónimo e com um cartão belissimo que dizia ( simplesmente com muito muito amor), quem mo enviou?, não sei. Abri o embrulho com embalagem de Natal e dentro um lindo e sugestivo presente ( uma vela que chora a cera que escorre como lágrimas da luz que mostra o caminho, sobre um prato de estrelas que mostrava que Deus está atento a quem faz Natal todos os dias...
Quem enviou tão sugestiva mensagem ... não sei, sei apenas que nela encontrei um recado, nunca estamos sós... Deus e Jesus estão sempre connosco. Ao Amadeu Santos e à Ana Maria, o meu louvor e o agradecimento pela coragem... um abraço de todos os voluntários e que se recuperem rapidamente. Esta é a força que O Coração da Cidade imprime, estas são as medalhas que a vida dá.